Canarinhio Pantaneiro: música celebra a vida de Luciano Leite de Barros

Grupo Real/Divulgação
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Homenagem musical celebra a vida de Luciano Leite de Barros e transforma memórias do Pantanal em poesia sonora

Uma homenagem musical nasce do coração do Pantanal para celebrar não apenas a força de uma terra cheia de memórias, mas também o legado emocional de um de seus grandes personagens. A canção “Canarinho Pantaneiro”, composta por Dener Dias, Coordenador de Comunicação Estratégica do Grupo Real, transforma em música o afeto entre pai e filho e a ligação profunda com o bioma, reafirmando o poder da arte de eternizar histórias e pessoas.

Apresentada pela primeira vez durante a Cavalgada Pelo Pantanal, na Fazenda Baía das Pedras, a obra emocionou os participantes ao surgir como uma surpresa carregada de significado. A música, inspirada no avião amarelo de Luciano Leite de Barros, o pecuarista querido e referência para tantos pantaneiros, chegará em breve às plataformas digitais, ampliando o alcance dessa declaração de amor ao Pantanal e à memória afetiva de seus habitantes.

O Pantanal, feito de paisagens, fauna, flora e histórias que moldam a identidade de Mato Grosso do Sul, é também território de pessoas que deixam marcas profundas nas vidas que tocam. Luciano Leite de Barros foi uma dessas figuras cuja presença transformava ambientes: animava rodas de prosa, aproximava pessoas e fortalecia laços. Ao eternizar essa energia no “Canarinho Pantaneiro”, Dener Dias traduz em lirismo não apenas a admiração por Luciano, mas também o sentimento coletivo dos pantaneiros que enxergam na música um gesto de cuidado, memória e celebração da cultura local.

Composição

Em entrevista ao Estado, Dener Dias revela que o processo criativo de “Canarinho Pantaneiro” nasceu de forma espontânea, guiado mais pela emoção do que pela técnica. Ele conta que não houve um momento planejado para compor, porque “inspiração vem quando dá na telha dela”, e que a saudade de Luciano Leite de Barros foi o fio que costurou cada verso.

Mesmo desejando há muito tempo prestar essa homenagem, Dener admite que ainda não sabe se a canção alcança a grandeza do homenageado, algo que, segundo ele, “quem decide é quem vai ouvir”. Para o compositor, apenas o tempo e a sensibilidade do público poderão dizer se a poesia criada faz jus ao homem que marcou tantas vidas no Pantanal.

“‘Canarinho Pantaneiro’ era o apelido do avião do Luciano, grande amigo que foi para outros Pantanais, mas deixou um grande legado. Onde ele chegava mudava completamente o ambiente. Animava todo mundo, brincava, armava festas, reunia os pantaneiros”, afirma Dener.

As lembranças de Dener Dias com Luciano remontam ao início dos anos 2000, quando o compositor ainda passava férias na fazenda Corixão. Foi ali que viu, pela primeira vez, o avião amarelo pousar em meio ao tempo fechado, trazendo consigo a figura radiante de Luciano. A cena marcou o jovem estudante e ajudou a construir a memória afetiva que hoje sustenta a canção “Canarinho Pantaneiro”.

Anos depois, já quase jornalista e viajando pelo Pantanal para escrever “Poeira Branca”, Dener reencontrou o pecuarista na fazenda Rancharia. Ao pedir pouso montado em um burro, foi recebido pela típica graça de Luciano: “Do jeito que ocê tá malasentado nesse burro, vi que não era pantaneiro!”. A partir dali, a amizade se firmou, deixando lembranças que agora ecoam na homenagem musical.

Amor de pai para filho

Para Léo Morbin Leite de Barros, filho de Luciano, a música chega como um retrato fiel do homem que marcou o Pantanal e todos que conviveram com ele. “Me espelho nele. Esse amor pelo Pantanal, pelo cavalo, foram anos de dedicação. Não podia deixar ser esquecido”, afirma. Léo lembra que o pai “não passava despercebido” e que, por onde andava, deixava marcas de “amor, cuidado e carinho”. Ao ouvir “Canarinho Pantaneiro”, reconheceu imediatamente a essência do pecuarista: “Essa música descreveu ele perfeitamente.”

Léo também recorda o momento em que emprestou a Dener a tralha de arreio que pertencia a Luciano gesto que, sem que ele soubesse, acabaria costurado à história da própria música. “Foi um gesto de gratidão. Há um homem que nunca deixou meu pai cair no esquecimento”, diz.

Ele conta que não sabia da existência da canção, muito menos de que seria apresentada na cavalgada, mas que ceder a traia “foi algo natural, que veio de dentro”. Para Léo, esse pequeno ato carregado de memória ajudou a manter viva a presença do pai no coração de todos que o admirava.

Legado

Luciano faleceu em 2021, vítima de câncer, deixando saudade e uma coleção de histórias que continuam vivas no Pantanal. A pedido da família, Dener tocou Poeira Branca em seu velório, gesto que o marcou profundamente e reacendeu o desejo de transformar memória em música.

Foi dessa mistura de afeto, dor e coragem que nasceu “Canarinho Pantaneiro”, obra que revisita passagens da convivência entre os dois, relembra episódios marcantes, faz referência à égua Xinoca (que também morreu pouco depois) e celebra o coração generoso de Luciano. Uma canção que eterniza não apenas um homem, mas todo um modo de viver pantaneiro.

 

Amanda Ferreira

 

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