Alunos se tornam cineastas na 4ª edição do Festival de Cinema das Escolas Estaduais

Foto: Divulgação
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Premiação será realizada no mês de dezembro, no Bioparque Pantanal

A sétima arte é uma das formas mais poderosas de unir pessoas e fazê-las pensar sobre o mundo, além de conhecê-lo, seja estando por dentro de produções ou como espectador. Em Mato Grosso do Sul, estudantes da Rede Estadual de Ensino vão ter essa experiência na prática e com um desafio: usar a linguagem cinematográfica para discutir cidadania, responsabilidade social e educação fiscal, na 4ª edição do ‘Festival de Cinema das Escolas Estaduais – Prêmio Joel Pizzini’.

As inscrições para o festival já estão abertas e seguem até o dia 20 de outubro de 2026, para qualquer estudante regularmente matriculado na rede de ensino. Cada escola pode inscrever até dois curtas-metragens, enviados junto com a ficha de inscrição. O estudante que quiser participar também precisará comprovar a frequência. Seu objetivo é promover a expressão artística e criativa dos estudantes por meio do cinema, contribuindo para sua formação cultural, social e cidadã.

O que é o festival

Promovido pelo NUAC (Núcleo de Arte e Cultura) da SED (Secretaria Estadual de Educação) em parceria com a Receita Federal de Campo Grande, o festival convida as escolas a produzirem curtas-metragens inéditos com o tema ‘Educação Fiscal e Cultural: Construindo Cidadania por Meio da Arte e da Responsabilidade Fiscal’.

A proposta é mostrar aos jovens, de forma criativa e acessível, como os tributos impactam diretamente serviços essenciais que fazem parte do cotidiano de todos: saúde, educação, segurança e infraestrutura.

O gestor do NUAC, Prof. Dr. Fábio Germano da Silva destaca como a criatividade é posta à prova durante a produção. “Esse importante projeto cultural ajuda a promover a linguagem do cinema de modo peculiar, quando, além de trazer à tona os elementos criativos, instiga a pesquisa e desperta o interesse pelas diversas vertentes da 7.ª arte. Provocando discussões, gerando o pensamento crítico e criativo, e buscando revelar novos talentos”, explica ao jornal O Estado.

Além da produção audiovisual, Fábio acredita que o projeto possa ser um estímulo para que os alunos se interessem mais pela linguagem artística do cinema, mas por trás das câmeras, na produção.

“Nesse contexto, a arte é um meio que conduz ao pensamento crítico, à consciência do papel de cada cidadão e à participação na construção de uma sociedade mais justa. Cremos que a educação pela arte torna temas como esse mais interessantes. Contribuir para formar um ser humano mais participativo, questionador e consciente, e também o papel da arte-educação”.

Uma homenagem que inspira

O festival leva o nome de Joel Pizzini, cineasta referência no cinema brasileiro, reconhecido por obras como ‘500 Almas’ e ‘Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz’. Nascido no Rio de Janeiro, passou a infância em Mato Grosso do Sul, onde, ainda jovem, já escrevia poemas. Foi na universidade que conheceu o trabalho de Mário Peixoto, que serviu de inspiração para a carreira no cinema.

Em 1981, voltou para Campo Grande, tornando-se frequentador assíduo de cinemas, e realiza divulgações de releases de filmes de Bressane e Sganzerla. Já em São Paulo, realiza seu primeiro curta-metragem ‘Caramujo-flor’ (1988), em que, por meio de som e imagem, revela o universo do poeta Manoel de Barros. O curta recebeu prêmios como Melhor Direção e Melhor Fotografia, no Festival de Brasília (1988); Melhor Filme, no Festival de Huelva, Espanha (1988); Melhor Documentário Latino-Americano, no Festival de Mar Del Plata, na Argentina (2006).

Entre 2000 e 2010, produziu mais de uma dezena de filmes e vídeos para a TV, com destaque para: ‘500 Almas’ (2004), que representa a experiência poética sobre a região onde vive na infância e juventude; ‘Mr. Sganzerla, o Signo da Luz’ (2011) e ‘Mar de Fogo’ (2014).

Uma escolha que não é apenas simbólica. É um convite para que os estudantes entendam que o cinema de qualidade tem raízes, tem história e tem compromisso com a realidade.

“A homenagem ao cineasta tão importante como o Joel Pizzini nos mostra que podemos e devemos olhar para os nossos artistas com maior consideração. Mato Grosso do Sul tem um rico cenário cultural, com uma produção artística variada e autêntica. Cada região desse estado possui suas características que são celebradas principalmente por meio da arte. É preciso assumir essa identidade e fortalecê-la. Nesse cenário, a arte ocupa um papel preponderante e fundamental. Ao dar nome ao festival com um artista local, reforçamos a importância de manter viva a nossa identidade cultural sul-mato-grossense”, destacou Fábio.

Estudantes como protagonistas

Para o NUAC, o cinema é uma ferramenta poderosa de expressão e reflexão, capaz de conectar alunos, comunidade e cultura. Este ano, o desafio será ainda maior ao abordar a educação fiscal, um tema presente no dia a dia de todos.

Segundo o gestor, o tema foi escolhido justamente por “parecer distante do universo estudantil”.

“Estamos numa parceria junto com a Receita Federal na realização de formações para os nossos professores e alunos em todas as coordenadorias regionais de educação de MS, são onze ao todo. Com essas ações de formação, temos percebido um interesse muito grande, e o envolvimento dos alunos e professores tem sido satisfatório. Ao propormos esse tema, pensamos em formações, oficinas, palestras, dinâmicas, dentre outros, como uma estratégia de dimensionar a pesquisa e estimular os alunos no processo de criação e também no entendimento do conteúdo como parte importante do processo de formação cidadã”, finaliza.Pelo menos 150 professores da rede estadual de ensino participaram este ano de uma capacitação especial, que serviu como pontapé inicial para o projeto. A coordenadora do projeto no Nuac, professora Alessandra Machado, ressaltou o impacto da iniciativa na formação dos educadores e alunos. “A educação fiscal, aliada à arte e à cultura, amplia a compreensão dos alunos sobre o seu papel na sociedade. Estamos preparando professores para trabalharem esse conteúdo de forma criativa e transformadora, fortalecendo a cidadania dentro e fora da escola”, explicou.

A divulgação dos finalistas será realizada no dia 4 de novembro de 2026 e a cerimônia de premiação no dia 4 de dezembro, às 13h, no Bioparque Pantanal, em Campo Grande.

 

Por Carolina Rampi

 

 

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