O músico Adriano Praça, conhecido por integrar o Grupo Acaba, faleceu nesta sexta-feira (6), deixando um legado marcado pela valorização da cultura pantaneira e da música sul-mato-grossense. Reconhecido pela habilidade na flauta e no sax, Adriano encantou gerações com composições que celebravam a fauna, a flora e os costumes do Pantanal, além de inspirar alunos e admiradores como professor.
O filho do músico, Felipe Vaneyken, comunicou o falecimento em suas redes sociais e recebeu mensagens de solidariedade de amigos, familiares e colegas de profissão. O velório ocorreu no sábado (7), às 9h, na Loja Maçônica Rua Santos de Amos, com cortejo às 13h30 e sepultamento no Cemitério Jardim das Palmeiras. Nas redes, Felipe escreveu: “Deus te receba, meu pai! Te amo eternamente”, enquanto seguidores deixaram mensagens de conforto e lembrança do legado de Adriano.
O Grupo Acaba, fundado em 1972, se autodenomina como os “protetores do Pantanal”, trazendo em sua música elementos da cultura indígena, costumes pantaneiros e a preservação ambiental. Com mais de 50 anos de atuação, a banda surgiu em Campo Grande a partir de movimentos estudantis em 1968 e consolidou-se como um marco na valorização da cultura regional, preservando o folclore local e registrando a história da cidade.
Livro
Em 2024, a trajetória do grupo foi registrada no livro “Grupo Acaba – A História dos Canta-Dores do Pantanal”, escrito pelo jornalista e produtor cultural Rodrigo Teixeira. Financiada pelo FIC-MS (Fundo de Investimentos Culturais de Mato Grosso do Sul), a obra narra a carreira de mais de cinco décadas do Acaba, uma das bandas mais antigas do Brasil ainda em atividade contínua.
O livro, com prefácio do jornalista Pedro Alexandre Sanches, possui 362 páginas e reúne 227 imagens, incluindo fotos, capas de discos, matérias de jornais e documentos históricos. Uma versão em audiobook está disponível gratuitamente no YouTube, promovendo acessibilidade e democratizando o acesso à memória cultural da banda. O projeto foi iniciado em 2016, quando Rodrigo Teixeira foi convidado por Moacir Lacerda, integrante do grupo, a mapear toda a trajetória da banda.
Para autoridades e especialistas em cultura, a obra e a carreira do Grupo Acaba reforçam a importância de valorizar a música e a identidade sul-mato-grossense.
“É um livro que testemunha a rica e duradoura contribuição do Grupo Acaba para a música e cultura do nosso estado. A obra documenta a trajetória excepcional da banda e reforça nosso compromisso com a preservação da memória cultural de Mato Grosso do Sul”, destacou Marcelo Miranda, secretário de Estado de Turismo, Esporte e Cultura.
Rodrigo, em entrevista ao Jornal O Estado, ressalta a relevância de Adriano Praça na trajetória do Grupo Acaba e a importância de preservar a identidade musical sul-mato-grossense. Adriano, que entrou para o grupo em 1981, deixou uma marca duradoura ao introduzir instrumentos de sopro, como flauta doce, clarinete, sax e pífanos, ampliando a estética sonora da região.
Para o autor, seus solos e introduções se tornaram elementos centrais de clássicos do Acaba, como Pássaro Branco, Waradzu e Fernando Vieira, consolidando o grupo como referência cultural do Pantanal.
“Para mim, a música sempre foi uma forma de contar nossa história e valorizar a cultura do Pantanal. Cada instrumento tem sua voz e sua própria história”, finaliza Rodrigo, destacando o papel da música como preservação da memória e identidade regional.
Por Amanda Ferreira
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