Abriu a lata e saiu bolo! Novidade inusitada da confeitaria chega em Campo Grande

Foto: arquivo pessoal
Foto: arquivo pessoal

Inspirada em tendência japonesa, confeitaria aposta no Cake Can, sobremesa montada e lacrada em uma embalagem de 350 ml semelhante a refrigerante

Podem até falar que em Campo Grande não há muitas opções de lazer — o que é mentira —, mas não dá para negar que, quando o quesito é gastronomia, a cidade morena dá um show de criatividade ao acompanhar de perto as mais diversas tendências espalhadas pelo mundo. Agora, uma que ainda aparece tímida, mas com grande potencial, é o bolo em lata.

Após o morango do amor, festival de fatias, hambúrguer de bolo, copo da felicidade e até o bolo de pote, a novidade no mundo da confeitaria internacional são os bolos em lata. Como assim, em lata? Isso mesmo, camadas de bolo e recheio juntas, em uma lata semelhante às de refrigerante, com o mesmo mecanismo de abertura. O item é uma ótima pedida para aqueles que gostam de postar nas redes sociais as últimas tendências.

No Japão, país onde mais se vê o tal do bolo de lata. Lá, ele é facilmente encontrado em máquinas de venda automática, tal qual os refrigerantes mesmo, em vários pontos da cidade. Conhecido como ‘Cake Can’, ele já chegou a outros locais do mundo, como Estados Unidos e Portugal, e a outros estados do Brasil, ainda este ano.

O doce ‘enlatado’ deixa o conteúdo à mostra e ainda possui a vantagem de poder levar na bolsa ou mochila com certa facilidade, já que os itens são lacrados.

Em Campo Grande, a primeira loja a produzir e comercializar o bolo na lata foi a Clary’s Cake, do casal Emily Vitória di Martini de Paula Kaneshige, de 22 anos, e Lucas Kaneshige da Silva, de 28.

Foi ali, nas redes sociais, onde o Cake Can viralizou, que Emily e Lucas viram uma nova oportunidade de negócio.

“Meu marido gosta de ficar olhando tudo que é novidade e um dia ele viu o bolo na lata no Instagram e me trouxe a ideia. Eu já trabalhei em padaria e, desde pequena, sempre gostei da área da confeitaria, então achei super interessante a ideia, mas foi muito difícil para aceitar fazer, por medo de não dar certo. Foi um investimento bem alto”, relatou Emily em entrevista ao Jornal O Estado.

Latinha doce

O processo de produção do Clary’s Cake é, inicialmente, feito como em qualquer confeitaria, com ingredientes selecionados. “Nós trabalhamos com produtos originais, como a Nutella, Leite Ninho e Ovomaltine. Porém, esses recheios puros ficam muito enjoativos, então adapto, faço uma mousse de Nutella e mousse de Ovomaltine, deixando descansar de um dia para outro na geladeira, para pegar consistência”, explica Emily.

“Depois dos recheios, vou para a parte da massa, que é um pouco demorada, porque gosto de bater bem os ovos para não ficar com cheiro nem gosto”, complemento.

O ‘pulo do gato’ durante a montagem é a embalagem, que precisa de um aparelho especial para ser fechada no estilo refrigerante.

“Com tudo resfriado, começo a montagem na lata, onde tem que ter todo um cuidado para ficar com a aparência bonita. Coloco uma camada de massa, molho com calda e depois recheio; vou fazendo isso até o topo da lata. Em seguida, meu marido entra em ação, lacrando as latas com a recravadora [máquina usada para fechar e selar embalagens de forma hermética]; após isso, colocamos na geladeira para ficar bem geladinho e está pronto para consumo”.

Entretanto, a embalagem, que chama atenção por ser diferentona, não é tão fácil de achar, e o casal precisa importar o item. “A embalagem foi bem difícil de encontrar; agora está mais fácil, mas no começo foi complicado encontrar. Meu marido ficou semanas procurando. As latas vêm da China. Depois que monto o bolo, meu marido coloca a tampa enviada na recravadora e lacra a lata”. Mesmo com o item viralizado, o casal ainda realiza a importação, já que em Campo Grande não há lojas que vendam esse tipo de item.

Diferencial

Para Emily, a principal diferença entre o bolo em lata e o tradicional bolo de pote é a quantidade, preço e estética única.

“Nos últimos tempos notamos que os bolos de pote estavam diminuindo e o valor aumentando. Nós resolvemos ir na contramão, pegando uma embalagem de 350 ml, com produtos de qualidade e um preço acessível”, explica a empresária e confeiteira.

“A preparação é mais complicada que o tradicional bolo de pote, porém, esteticamente, é muito mais bonito e, para quem vai consumir, é uma experiência diferente e interessante”, complementa.

Emily relembra que o nome Clary’s Cake surgiu após se tornar mãe e ter a sua rotina alterada para viver 100% em torno da maternidade e ficar em casa com a filha. “Comecei fazendo aqueles caseirinhos para vender no iFood, mas, por um tempo, desisti por conta do alto custo da plataforma. Já o nome é por conta da minha filha, que se chama Clarysse”.

Com a novidade ainda fresquinha na cidade, Emily relata que a reação dos clientes é de espanto com a proposta da embalagem, mas que é o que mais chama a atenção.

“A reação dos clientes é muito legal e engraçada; eles sempre param e me perguntam como funciona para fechar a lata e de onde veio a ideia. Nós vendemos nas feiras Bosque da Paz e Borogodó, por enquanto só nessas duas, e os clientes sempre param, achando que é desenhada a lata por conta dos morangos que ficam à mostra”, revela.

Por Carolina Rampi

 

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