18ª Semana do Artesão: artesanato Sul-mato-grossense é destaque e alavanca para economia criativa do Estado

Foto: reprodução
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Das tradições indígenas até as influências fronteiriças, o artesanato de Mato Grosso do Sul é mais do que técnica, é memória moldada em argila, em fibras trançadas à mão, madeira e sementes que se transformam em peças. Para belezas e inspirações, a Fundação de Cultura realiza de 18 a 25 de março, em Campo Grande, a 18ª Semana do Artesão.

A iniciativa marca as comemorações pelo Dia do Artesão, celebrado no dia 19 de março. Com apoio do Governo do Estado, a semana se consolida como uma das principais políticas públicas de valorização do fazer artesanal, aliando geração de renda, capacitação e intercâmbio cultural.

‘Mãos que Criam’

O ponto alto da programação é a Feira de Artesanato “Mãos que Criam”, realizada de 18 a 22 de março, no Armazém Cultural da Feira Central. O espaço reunirá artesãos de 16 municípios do interior, além da participação de oito etnias indígenas de Mato Grosso do Sul, reforçando a diversidade cultural que caracteriza a produção local.

A abertura oficial acontece no dia 18, às 18h, na Esplanada Ferroviária, com homenagens a três nomes que ajudaram a construir a história do artesanato sul-mato-grossense: Marilde Cecília Ferreira (Rio Verde), Luiz Gonzaga de Oliveira – “Luizinho” (Campo Grande) e Elizabeth Antunes Marques – “Beth Marques”.

Durante os cinco dias de feira, o público poderá adquirir peças de referência cultural, produtos da gastronomia regional e acompanhar apresentações artísticas, como Duo Borba Nonnato, Jerry Espíndola, Gui Valença, Karla Coronel, Lianny Melo, Circo do Mato e Flor de Pequi.

Oportunidades

Aliado com os artesãos, a programação ainda terá espaço para a economia criativa: no dia 19 o Sebrae/MS sedia a Rodada de Negócios, evento que colocará artesãos sul-mato-grossenses frente a frente com dez lojistas de diversas regiões do país, ampliando oportunidades de mercado.

No mesmo dia será lançado o projeto da segunda filial da Casa do Artesão, no Shopping Campo Grande, iniciativa que integra o plano de expansão da marca. Já no dia 20, o Encontro dos Artesãos de MS reunirá profissionais e representantes da Federação dos Artesãos para planejamento estratégico das ações de 2026 e 2027, além de visita mediada ao Centro de Referência do Artesanato.

Homenagens

Com a abertura, artesãos que se destacaram em sua trajetória com o artesanato serão homenageados: Mestre Luizinho, Elizabeth Marques e Marilde Cecília Ferreira.

Mestre Luizinho (Luiz Gonzaga de Oliveira) nasceu no interior da Bahia, em Ipiaú, no leito do Rio das Contas. Ele completa hoje 80 anos e desde os oito anos de idade ele começou a ter contato com o barro, com a cerâmica e começou a fazer peças no torno.

Ele chegou em Campo Grande com mais ou menos 45 anos, saindo da Bahia e querendo ir para o Peru, Colômbia, Venezuela, mas se deparou com um surto de cólera nesses países e ele teve que ficar aqui em MS; ele aproveitou isso e foi sondar o mercado, quem trabalhava, quem não trabalhava com cerâmica por aqui, conheceu vários artesãos na época e acabou fixando residência.

“Eu o conheci em 2010 e nós acabamos fazendo uma parceria muito boa. Ele trabalha por conta própria. Ele é um profissional autônomo, mas ele trabalha fazendo peças para outros ceramistas. É que aqui em Mato Grosso do Sul nós não temos essa cultura, mas o Mestre Torneiro, ele é o mestre que acompanha o ceramista nos seus desenhos, no seu design de peça e executa, porque ele faz uma produção muito grande a confecção da cerâmica no torno por uma pessoa que tem a habilidade, a rapidez que ele tem, é uma produção muito alta, de grande quantidade. Então, ele presta esse serviço para vários artesãos e ceramistas aqui do estado”, diz a artesã Andrea Lacet, que falou sobre o amigo e companheiro de trabalho, já que o Mestre Luizinho está em idade avançada e enfrenta problemas de saúde.

Outra grande homenageada da Semana do Artesão é Elizabeth Marques, que iniciou na cerâmica quando criança na barranca do rio lá na fazenda a fazer panelinhas, “ali já tive um gosto pelo artesanato”. “Comecei a trabalhar em outras profissões, mas como tinha filho pequeno, antigamente era mais difícil, não tinha creche, era muita dificuldade, eu não tinha dinheiro, então eu optei pelo artesanato, vendia em feiras”, relembra.

“A feira Mão de Minas, me encantou aquela variedade de cores, de jeito de cada um. Eu sou colorida, minhas peças são todas coloridas, eu gosto de cor, eu acho Mato Grosso do Sul é cor, nós somos um estado colorido, de árvores, de flores, de frutos, então eu gosto de carregar esta alegria que o meu estado me dá. Estou sempre inventando, hoje em dia faço totem com cabeça de onça, com cabeça de indígena, e assim vai indo, vou inventando e criando e sendo feliz”.

Marilde Cecília Ferreira, de Rio Verde, trabalha com artesanato há 23 anos, fazendo peças utilitárias e decorativas em cerâmica. Natural de Jaú, estado de São Paulo, mora em Mato Grosso do Sul desde os 11 anos, atualmente está com 68 anos. “Aqui onde eu moro, em Rio Verde, não tem tanta opção para trabalho, a não ser o serviço doméstico. Em 2003 o Sebrae trouxe o curso de Modelagem em Argila. Aí eu fiz o curso no Senai, primeira etapa foram 35 dias de aula, segunda etapa mais 15 dias, éramos 28 pessoas fazendo o curso, quando terminou eu resolvi dar continuidade ao trabalho e chamar mais algumas pessoas para trabalhar, onde eu fundei a Riverarte, sou uma das sócias fundadoras, e em 2010 eu me desliguei da Riverarte e fui tocar o meu artesanato sozinha, fui orientada a fazer o MEI”.

A talentosa artesã participou de uma competição do Sebrae e ficou entre os 100 melhores artesãos do país. “Colocamos Rio Verde nos cem melhores do Brasil, top 100, isso em 2006. Aí em 2021 teve uma premiação do primeiro lugar de Mato Grosso do Sul, ganhei primeiro lugar. Dei aula na TV Educativa em 2021, uma oficina, e desde que eu iniciei eu não parei de trabalhar. Eu trabalho mais com peças utilitárias, tenho peças em restaurantes em Campo Grande, tem em Bonito, em vários lugares”

“O artesanato na minha vida significa tudo, é o meu trabalho, fiz do artesanato a minha profissão. É onde tiro o dinheiro para pagar minhas contas, comprar alguma coisa. Em 2024 eu comprei meu carro, paguei a vista com o dinheiro do artesanato. Então, para mim, o artesanato é tudo. E essas pessoas que eu quero capacitar também, eu quero que elas ganhem com o artesanato”.

Oficinas

A programação começa no dia 18 de março (quarta-feira), no Armazém Cultural/Feira Central, com oficinas de Técnica em Fibras Naturais – Trançado, ministradas por Magali Ono, em dois períodos, das 14h às 18h e das 18h às 21h. No mesmo dia, Beatriz Barros conduz a oficina de Montagem de Biojoias, das 14h às 18h, enquanto Andrea Lacet ministra Modelagem em Cerâmica, das 18h às 21h.

No dia 19 de março (quinta-feira), a programação segue no mesmo local com Modelagem em Cerâmica, com Marilde Cecília Ferreira, das 14h às 18h, e Bordado, com Leonice Pacheco, das 18h às 21h. Também se repetem as oficinas de Montagem de Biojoias, com Beatriz Barros, no período vespertino, e Modelagem em Cerâmica, com Andrea Lacet, no período noturno.

Já no dia 20 de março (sexta-feira), continuam as oficinas de Modelagem em Cerâmica, com Marilde Cecília Ferreira, das 14h às 18h, e Bordado, com Leonice Pacheco, das 18h às 21h. A programação inclui ainda o workshop especial “Mídia e suas Funcionalidades”, com Aniela Paes, das 14h às 17h30.

No dia 21 de março (sábado), o público poderá participar da oficina de Confecção de Brinquedos Infantis, com Sibele Forato Ferreira, voltada ao público infantil, das 14h às 18h. No mesmo horário, Elizabeth Marques ministra Modelagem em Argila, enquanto, à noite, das 18h às 21h, ocorrem as oficinas de Estamparia, com Jane Arguelho, e Confecção de Cabaças, com Lourdes Pedrão.

A programação se repete no dia 22 de março (domingo), no Armazém Cultural/Feira Central, com as mesmas oficinas de brinquedos infantis, estamparia, modelagem em argila e confecção de cabaças, nos mesmos horários. Já na Morada dos Baís, também no domingo, acontece a oficina de Modelagem em Biscuit, com Rodrigo Avalhães, das 8h às 14h.
Todas as incrições podem ser feitas por meio da plataforma Sympla.

Por Carolina Rampi

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