Loja na saída para Sidrolândia comercializa cerca de 3 mil aves por mês e atende desde sitiantes até famílias que criam os animais dentro de casa
Quando Joselina Nunes comprou dois pintinhos em junho, não pensava em criar aves para vender ou produzir ovos. Ela achou os animais bonitos e decidiu levá-los para casa. Hoje, os dois já cresceram, mas continuam dentro de casa, onde dividem espaço com a família, ficam no sofá e são tratados como animais de estimação.
“Eu crio eles igual recém-nascidos”, conta Joselina. Os dois ainda não têm nome, mas já ganharam lugar na rotina da casa e a companhia de cinco crianças. Para alimentá-los, ela volta à loja mensalmente e gasta cerca de R$ 20 com ração.
A história da família mostra um dos perfis de consumidores que passaram a procurar os pintinhos vendidos na Casa da Ração CG, na saída para Sidrolândia. A loja comercializa, em média, 3 mil aves por mês e, segundo o vendedor Jairo Dittrich, viu as vendas triplicarem nos últimos seis meses com a divulgação nas redes sociais.
“Graças a Deus, a divulgação do Instagram e do Facebook bombou. Triplicou a venda”, afirma. Segundo ele, a loja já tinha um fluxo consolidado, mas as publicações ampliaram o alcance do negócio e atraíram novos clientes.
A maior parte da clientela ainda é formada por sitiantes e moradores de assentamentos. Para esse público, os pintinhos podem representar uma fonte de renda complementar, seja pela criação para engorda, pela venda das aves adultas ou pela produção de ovos.
Do sítio à produção de ovos
A loja oferece diferentes variedades de aves. Entre elas estão o pescoço pelado, o pesadão e o charrua, resultado do cruzamento entre o índio gigante e a galinha caipira. Também há aves procuradas pela produção de ovos coloridos, que podem ser comercializados em feiras e diretamente ao consumidor.
O preço inicial dos pintinhos fica em torno de R$ 7,50. Conforme os animais permanecem mais tempo na loja e a procura da semana aumenta, o valor pode subir. A venda, segundo Jairo, é acompanhada de orientações sobre alimentação, higiene e cuidados nos primeiros dias de vida.
A preocupação com a orientação dos clientes é uma das marcas do trabalho do vendedor, que atua há três décadas com a comercialização de aves. Antes de trabalhar na loja, ele passou 20 anos no Mercadão Municipal de Campo Grande.
A experiência, afirma, ajudou a construir uma clientela que busca não apenas comprar os animais, mas também entender como criá-los. “Às vezes, o cliente vem aqui e não pode ter dúvidas. Nós temos que tirar as dúvidas deles”, diz.
Cuidados começam nos primeiros dias
Segundo Jairo, os pintinhos comercializados são aves produzidas em granja e, por isso, não devem ser confundidos com a galinha caipira criada e reproduzida na própria propriedade rural. Embora os cuidados básicos sejam semelhantes, a alimentação inicial é considerada fundamental para o desenvolvimento das aves.
Nos primeiros 30 a 40 dias, a recomendação é manter a alimentação adequada para a fase inicial. O vendedor também alerta para a presença de predadores, como gaviões, gambás, ratos, gatos, cobras e até cães, que podem atacar os pintinhos quando eles são levados para áreas abertas.
Enquanto muitos clientes compram as aves pensando na criação rural, Joselina decidiu mantê-las dentro de casa. Os dois pintinhos ficam soltos e são alimentados com ração. “Eu não compro para ter lucro. Eu quero um companheirinho para a gente brincar e se divertir”, afirma.
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