Turquia se torna rota estratégica para carne bovina que saí do Estado

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frigorífico de MS - Foto: Semadesc
Carnes sendo preparadas para exportação em frigorífico de MS - Foto: Semadesc

Negociação do Mapa garante alternativa logística frente à instabilidade global e à limitação das cotas chinesas

A intensificação de conflitos internacionais que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, elevando os custos logísticos globais. Ao mesmo tempo, a imposição de cotas pela China na importação de carne reduziu a previsibilidade para exportadores e aumentou a necessidade de alternativas comerciais.

Para manter o fluxo das exportações, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) concluiu negociações com a Turquia, garantindo uma rota alternativa para produtos brasileiros, especialmente de origem animal, com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central. A medida permite que cargas utilizem portos turcos como ponto de trânsito ou armazenamento temporário, evitando a passagem pelo Golfo Pérsico.

A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) destacou a importância da abertura do mercado turco para a carne bovina, sobretudo em um momento em que a cota da China já está praticamente esgotada. Segundo a entidade, a ampliação de novos destinos fortalece o setor, reduz a dependência de mercados específicos e cria oportunidades para maior equilíbrio nas exportações. A expectativa é que o Brasil avance na abertura de mercados, ampliando o alcance da carne bovina nacional e garantindo mais competitividade ao produtor.

Além da busca por novos destinos, produtores têm apostado na diversificação do mercado interno e no desenvolvimento de produtos de maior valor agregado, como cortes premium e processados. A digitalização, inovação logística e acordos bilaterais também são estratégias adotadas para aumentar a eficiência e reduzir riscos.

Especialistas afirmam que, apesar das dificuldades, essas mudanças podem consolidar um agronegócio mais resiliente, menos dependente de rotas críticas e mais preparado para enfrentar crises futuras. A capacidade de adaptação, seja por meio de novas rotas ou diversificação de mercados se tornou o principal diferencial competitivo do setor.

 

El Salvador, Filipinas e Trinidad e Tobago

O governo brasileiro concluiu negociações que permitem a exportação de novos produtos agropecuários para El Salvador, Filipinas e Trinidad e Tobago, fortalecendo a presença do agronegócio nacional no mercado internacional.

Em El Salvador, a abertura para carne suína e derivados permitirá maior aproveitamento econômico da cadeia produtiva, com agregação de valor. Em 2025, o país importou mais de US$ 103 milhões em produtos agropecuários brasileiros.

Nas Filipinas, a autorização para exportação de feno seco cria oportunidades em um mercado de grande escala. Com cerca de 112 milhões de habitantes, o país comprou mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários do Brasil no ano passado.

Em Trinidad e Tobago, a aprovação para o ingresso de sementes de coco deve contribuir para a recomposição da flora local e o fortalecimento da economia do país, que importou mais de US$ 61 milhões em produtos brasileiros em 2025.

Com essas novas negociações, o agronegócio brasileiro alcança 555 aberturas de mercado desde o início de 2023. Os resultados refletem o trabalho conjunto do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores na promoção de produtos nacionais no exterior.

Por Ana Krasnievicz

 

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