Soja e milho mantêm preços sustentados em MS apesar de queda no mercado internacional

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Demanda doméstica, câmbio e logística ajudaram a reduzir o impacto da baixa em Chicago; soja chegou a R$ 119,90 e milho ficou em R$ 47,23 por saca em julho

Os preços da soja e do milho permaneceram sustentados em Mato Grosso do Sul em julho de 2026, mesmo com a perda de força das cotações internacionais na segunda quinzena do mês. Segundo boletins econômicos da Aprosoja/MS, fatores como demanda doméstica, câmbio e condições logísticas ajudaram a reduzir o impacto da queda registrada na Bolsa de Chicago (CBOT) sobre os preços pagos aos produtores do Estado.

O comportamento foi semelhante entre as duas principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul, embora soja e milho apresentem perspectivas diferentes para os próximos meses.

Soja chega a R$ 119,90 por saca no Estado

Na soja, o preço médio disponível alcançou R$ 119,90 por saca em julho, alta de 2,75% em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com a Aprosoja/MS, o mercado foi favorecido pela retomada das exportações após a entressafra e pela valorização das cotações internacionais registrada durante a primeira metade do mês.

No mercado futuro, os contratos com vencimento em novembro tiveram média de R$ 128,30 por saca. O desempenho indica uma expectativa mais favorável para a comercialização da nova safra.

A comercialização da soja também avançou durante julho. As vendas chegaram a 73% da produção estimada, nove pontos percentuais acima do volume registrado no mês anterior.

Apesar do avanço, o percentual permanece ligeiramente abaixo do observado no mesmo período do ciclo anterior. A recuperação das cotações ao longo do mês, no entanto, contribuiu para acelerar as negociações.

Milho mantém preço, mas futuro recua

O milho apresentou um cenário mais estável em Mato Grosso do Sul. O preço médio disponível ficou em R$ 47,23 por saca em julho, praticamente no mesmo nível registrado um ano antes.

No mercado futuro, porém, os contratos recuaram 6,71% na comparação anual. A pressão está relacionada principalmente às perspectivas de oferta global elevada e à menor antecipação de compras por parte da demanda.

A comercialização da safra de milho atingiu 38,5% da produção estimada, avanço de oito pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Mesmo com a evolução, o percentual ainda está abaixo do registrado na safra passada. Segundo a análise da Aprosoja/MS, o cenário leva os produtores a adotarem uma postura mais cautelosa diante das perspectivas para os preços futuros.

Câmbio e demanda ajudam a sustentar preços em MS

O analista de Economia da Aprosoja/MS, Rafael Gimenes, destaca que a dinâmica observada no Estado mostra que as cotações internacionais não são o único fator determinante para os preços recebidos pelos produtores.

“Mesmo com a correção observada na Bolsa de Chicago no fim do mês, os preços em Mato Grosso do Sul permaneceram mais sustentados. Isso mostra que fatores como o câmbio, a demanda física e as condições logísticas exerceram papel importante na formação das cotações estaduais, reduzindo o impacto das oscilações do mercado internacional sobre o produtor”, avalia.

A diferença entre os mercados de soja e milho também aponta para perspectivas distintas para os próximos meses.

Na soja, a retomada das exportações e a demanda internacional dão suporte às expectativas do setor. Já o milho permanece pressionado pelas projeções de oferta global elevada, cenário que limita uma recuperação mais consistente dos preços futuros.

“A soja apresenta um ambiente mais favorável, sustentado pela retomada das exportações e pela demanda internacional consistente. Já o milho segue influenciado pelas expectativas de ampla oferta global, o que limita a recuperação dos preços futuros e faz com que muitos produtores mantenham uma estratégia mais conservadora na comercialização”, explica Gimenes.

Comercialização das safras avança em Mato Grosso do Sul

O avanço das vendas de soja e milho em julho mostra comportamentos diferentes entre os produtores das duas culturas.

Enquanto a soja alcançou 73% da produção estimada já comercializada, o milho chegou a 38,5%. A diferença reflete as condições de mercado e as expectativas distintas para os preços nos próximos meses.

Com a soja apresentando maior sustentação e o milho ainda sob pressão das perspectivas de oferta, a estratégia de comercialização tende a permanecer mais ativa no primeiro mercado e mais cautelosa no segundo.

Os dados da Aprosoja/MS reforçam, ainda, a influência de fatores regionais na formação dos preços agrícolas em Mato Grosso do Sul, mesmo diante das oscilações registradas no mercado internacional.

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