Soja de MS amplia destinos e reduz dependência da China nas exportações

Apesar de novos mercados, a China continua sendo o principal destino da produção do Estado / Imagem Divulgação
Apesar de novos mercados, a China continua sendo o principal destino da produção do Estado / Imagem Divulgação

Estado exportou 933,2 mil toneladas em julho, alta de 11,6%, enquanto novos compradores aumentam as alternativas de comercialização para produtores 

Paquistão, Bangladesh e Irã aumentam participação nas compras, enquanto China ainda concentra 63,9% das exportações do Estado

A soja de Mato Grosso do Sul começa a ampliar a presença em diferentes mercados internacionais e reduzir, gradualmente, a concentração das exportações na China. Embora o país asiático continue como principal destino do grão produzido no Estado, compradores como Paquistão, Bangladesh e Irã ganharam espaço no comércio exterior.

Em julho, Mato Grosso do Sul exportou 933,2 mil toneladas de soja, volume 11,6% maior que o registrado no mesmo mês de 2025. Em valores, os embarques alcançaram US$ 410,3 milhões, alta de 21,3% na comparação anual.

A China respondeu por 63,9% das compras de soja sul-mato-grossense no período. Na sequência aparecem o Paquistão, com 14,5%, Bangladesh, com 7,5%, e Irã, com 7,4%.

Os dados fazem parte de boletim econômico elaborado pela equipe da Aprosoja/MS, que aponta a diversificação dos destinos como um movimento estratégico para o setor produtivo.

Paquistão, Irã e Bangladesh ganham espaço

O analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, destaca que a China continua sendo um mercado fundamental para a soja de Mato Grosso do Sul, mas a ampliação do número de compradores pode trazer maior segurança comercial aos produtores.

“A China continua sendo um mercado estratégico para a soja brasileira e sul-mato-grossense, mas a diversificação dos destinos é positiva porque reduz a concentração das vendas e aumenta as alternativas de comercialização”, avalia.

A China é o maior importador mundial de soja e também ocupa posição de destaque na compra do produto brasileiro. No primeiro semestre de 2026, o país respondeu por 81,6% das exportações brasileiras de soja.

Por isso, a busca por novos mercados ganha importância para a cadeia produtiva. Quanto maior o número de países capazes de absorver a produção, maiores tendem a ser as alternativas disponíveis para a comercialização do grão.

Oriente Médio aparece como oportunidade

O boletim da Aprosoja/MS aponta ainda espaço para o avanço das vendas destinadas a países do Oriente Médio, em um cenário de demanda aquecida e melhores condições logísticas para esses mercados.

O Brasil já possui participação relevante no abastecimento de países da região, incluindo mercados como Irã e Turquia, que integram as cadeias de importação de produtos agrícolas brasileiros.

Nesse contexto, a novidade não está apenas na presença desses países como compradores, mas na importância estratégica que a diversificação dos destinos passa a ter para o agronegócio sul-mato-grossense.

A ampliação dos mercados pode ajudar a reduzir a exposição dos produtores às oscilações de um único comprador e aumentar as possibilidades de negociação da produção.

Logística e geopolítica exigem atenção

Apesar das oportunidades, a aproximação com mercados do Oriente Médio ocorre em um cenário de instabilidade geopolítica. Os conflitos registrados em 2026 aumentaram as preocupações relacionadas às rotas marítimas, aos custos de frete e aos preços dos combustíveis.

Para Linneu Borges Filho, a expansão das exportações para a região precisa considerar também esses fatores.

“O Oriente Médio representa uma oportunidade de diversificação para a soja, mas também exige atenção à logística e aos riscos geopolíticos. Não se trata apenas de encontrar novos compradores, mas de acompanhar a transformação das rotas pelas quais os alimentos circulam no mundo”, afirma.

Com o avanço das exportações e a entrada de novos compradores, Mato Grosso do Sul passa a desenhar um cenário mais diversificado para a comercialização da soja. A China permanece como principal destino, mas Paquistão, Bangladesh e Irã já representam uma parcela relevante dos embarques e ampliam as alternativas para o produto sul-mato-grossense no mercado internacional.

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *