Estado projeta produção superior a 15 milhões de toneladas, com expansão de área e avanço da colheita, enquanto estiagem no início do ano afetou lavouras, especialmente na região sul
Com o início do plantio da nova safra de soja em Mato Grosso do Sul, projeta-se que o ciclo 2025/2026 alcance 15,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare, representando um incremento de 2% em relação ao ciclo anterior.
A área destinada ao cultivo de soja segue em expansão, com crescimento de 6% em relação à safra passada, totalizando 4,8 milhões de hectares. Para o milho da segunda safra, a estimativa indica que a área cultivada deve atingir 2,206 milhões de hectares, com produtividade média de 84,2 sacas por hectare. A produção está estimada em 11,139 milhões de toneladas.
A porcentagem de área colhida na safra 2025/2026 encontra-se 4,6 pontos percentuais inferior em relação à safra 2024/2025, considerando a data de 20 de março.
A área de soja no estado continua em crescimento. A estimativa é de aumento de 5,9% em relação ao ciclo passado (2024/2025), atingindo 4,794 milhões de hectares. A produtividade estimada é de 52,82 sacas por hectare, com expectativa de produção de 15,195 milhões de toneladas. Essa perspectiva é baseada na média dos últimos cinco anos do projeto SIGA-MS.
Após um cenário otimista em dezembro de 2025, quando mais de 75% das lavouras de soja em Mato Grosso do Sul apresentavam boas condições, os meses de janeiro e fevereiro registraram piora acentuada. O agravamento foi causado por estiagem e temperaturas elevadas, com maiores prejuízos concentrados na região sul do estado.
Veranicos severos na região sul causaram danos significativos à agricultura. Levantamentos de campo realizados na última semana de janeiro apontam que mais de 640 mil hectares foram impactados, com períodos de estiagem superiores a 20 dias em algumas localidades. Destacam-se os municípios de Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai como os mais afetados.
Após oito semanas do início da colheita, Mato Grosso do Sul já colheu mais da metade da área estimada pelo projeto SIGA-MS. Depois de um começo lento, as operações ganharam ritmo a partir da terceira semana de fevereiro. Apenas na primeira semana de março, houve avanço de 19,40%, equivalente a cerca de 930 mil hectares.
De acordo com dados do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, a colheita da soja se aproxima da reta final, com aproximadamente 82% da área já colhida.
Em relação às condições das lavouras, nas regiões Norte e Nordeste do estado, as boas condições representam 69% das áreas. Já nas regiões Oeste, Sudoeste, Sul-fronteira e Centro, há maior variação, com presença significativa de áreas em condição regular e ruim, devido à falta de chuvas no final do ciclo da soja.
O plantio do milho também avança, com maior ritmo na região Sul, seguida pelas regiões Centro e Norte. Até o momento, cerca de 1,8 milhão de hectares já foram plantados.
Entre os municípios mais avançados na produção de soja, destacam-se Dourados, com 264 mil hectares plantados e produtividade média de 40 sacas por hectare; Caarapó, com 132 mil hectares e média de 41 sacas; Itaporã, com 102 mil hectares e produtividade de 36,4 sacas; Juti, com 44 mil hectares e média de 40 sacas; e Ivinhema, com 33 mil hectares, alcançando produtividade de até 50 sacas por hectare.
A previsão do tempo indica a ocorrência de chuvas significativas nas próximas semanas, especialmente nas regiões Sul, Centro-Norte e Sudoeste. Esse cenário reforça a importância do monitoramento contínuo das condições climáticas, permitindo ajustes no manejo conforme as particularidades de cada região.
“Estamos em uma das fases mais intensas do calendário agrícola, quando diferentes frentes de trabalho avançam simultaneamente. O produtor colhe a soja, organiza o escoamento da produção e, ao mesmo tempo, realiza o plantio da segunda safra. É um período em que cada dia — e até cada hora — pode fazer grande diferença no resultado final.
Por Ian Netto
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