Produto Interno Bruto do setor foi estimado em R$ 3,13 trilhões no primeiro trimestre, com queda em todos os segmentos do agronegócio
O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio brasileiro recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, após registrar crescimento superior a 12% ao longo de 2025. O resultado, calculado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), indica uma mudança no ritmo de atividade do setor.
Entre janeiro e março, o PIB do agronegócio foi estimado em R$ 3,13 trilhões. Desse total, R$ 1,88 trilhão corresponde ao ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão ao pecuário. A participação do agronegócio na economia brasileira ficou estimada em 22,8% no primeiro trimestre, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.
Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, a retração mantém a tendência de queda observada no último trimestre do ano passado, quando o PIB do setor também recuou em relação ao trimestre anterior. Apesar disso, o desempenho positivo registrado nos três primeiros trimestres garantiu crescimento expressivo do agronegócio em 2025.
Todos os segmentos registram queda
No primeiro trimestre de 2026, todos os segmentos que compõem o agronegócio apresentaram retração. A maior queda ocorreu no segmento primário, que recuou 4,15%.
Na sequência, aparecem os segmentos de insumos, com baixa de 2,15%; agrosserviços, com retração de 1,25%; e agroindústria, que apresentou queda de 1,03%.
De acordo com o levantamento, o resultado foi influenciado principalmente pela expectativa de redução do valor da produção em 2026. A queda dos preços de diversos produtos agrícolas e pecuários superou os ganhos esperados com o aumento da produção.
Agroindústria e serviços têm comportamentos diferentes
Dentro da agroindústria, as atividades ligadas à produção agrícola apresentaram retração, enquanto as agroindústrias de base pecuária avançaram. Segundo o Cepea/CNA, o resultado está relacionado à redução mais intensa do consumo intermediário.
Nos agrosserviços, o desempenho também foi dividido. O ramo agrícola apresentou queda, enquanto o pecuário registrou crescimento, impulsionado pela maior demanda por transporte, comércio e outros serviços relacionados à expectativa de aumento da produção pecuária.
O desempenho do primeiro trimestre reforça, portanto, um cenário de desaceleração do agronegócio após um período de forte crescimento em 2025. Para os próximos meses, a evolução dos preços, da produção e da demanda deverá ser determinante para o comportamento do setor.
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