Período termina em 15 de setembro e semeadura da safra 2026/2027 será liberada no Estado a partir do dia 16
Mato Grosso do Sul entra na reta final do vazio sanitário da soja, período iniciado em 15 de junho e que termina no próximo dia 15 de setembro. A medida busca reduzir a sobrevivência e a multiplicação do fungo causador da ferrugem-asiática, uma das principais doenças que afetam a cultura.
Durante o vazio sanitário, os produtores não podem manter plantas vivas de soja nas propriedades, incluindo as chamadas plantas voluntárias, conhecidas como guaxas ou tigueras. A eliminação dessas plantas é fundamental para interromper o ciclo do fungo e reduzir a pressão da doença sobre a próxima safra.
Com o fim do período, o produtor também intensifica os preparativos para a safra 2026/2027. Em Mato Grosso do Sul, a semeadura da soja estará autorizada a partir de 16 de setembro e poderá ser realizada até 31 de dezembro.
Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana, os últimos dias antes do plantio são importantes para revisar as condições das áreas e organizar as operações.
“Com a aproximação do fim do vazio sanitário, o produtor entra em uma fase importante de preparação para a nova safra. É o momento de avaliar as condições do solo, conferir os resultados das análises e planejar a adubação de acordo com a necessidade de cada área”, orienta.
Ele também recomenda atenção à qualidade e à procedência dos fertilizantes, além do planejamento antecipado para a compra de insumos e organização das operações em cada talhão.
Para o diretor da Aprosoja/MS e produtor rural em São Gabriel do Oeste, Sérgio Marcon, o início do plantio também dependerá do comportamento das chuvas.
“A gente espera a normalização das chuvas, porque nós até podemos plantar, mas se não tiver uma boa perspectiva de chuvas no decorrer, a gente retarda um pouquinho para iniciar com tranquilidade, sem botar em risco a semente e os tratos culturais que a gente faz com antecedência”, explica.
Manejo começa antes da semeadura
O controle das plantas voluntárias deve começar antes mesmo do período oficial do vazio sanitário. O vice-presidente da Aprosoja/MS e produtor rural no sul do Estado, Andre Dobashi, destaca que as plantas que surgem após a colheita precisam ser eliminadas rapidamente.
Segundo ele, uma colheitadeira bem regulada ainda pode deixar cerca de 20 a 25 quilos de soja por hectare no campo. Esses grãos podem originar novas plantas, que servem como hospedeiras para o fungo da ferrugem-asiática.
Dobashi ressalta que o controle logo após a emergência das plantas tende a ser mais eficiente, especialmente quando há umidade e temperaturas favoráveis à ação dos herbicidas.
O manejo da ferrugem-asiática permanece como uma preocupação durante todo o ciclo da cultura. O cumprimento do vazio sanitário contribui para reduzir a quantidade de inóculo do fungo no ambiente e retardar o aparecimento da doença durante a safra.
Na preparação para o plantio, os produtores também devem revisar máquinas e equipamentos, organizar a compra de insumos, avaliar as condições do solo e planejar as operações de dessecação.
Entre as plantas daninhas que exigem atenção está a buva, do gênero Conyza. A recomendação é monitorar antecipadamente as áreas, especialmente aquelas que vêm da colheita do milho segunda safra, e realizar o controle antes da semeadura.
Clima influencia início do plantio
A previsão climática para Mato Grosso do Sul entre setembro e novembro indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de distribuição irregular, principalmente no início da transição entre a estação seca e a chuvosa.
Os modelos também apontam temperaturas acima da média e possibilidade de períodos de calor intenso. A previsão do Cemtec/Semadesc indica ainda a permanência do El Niño, que pode influenciar as condições climáticas no Estado.
Diante desse cenário, o acompanhamento das chuvas e das temperaturas será fundamental para definir o momento mais adequado para o plantio.
Expectativa de produtividade
Apesar da preparação para a nova safra, a estimativa inicial aponta redução na produtividade. Conforme o Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, a expectativa para a primeira safra de soja 2026/2027 é de 52,4 sacas por hectare, queda de 13,2% em relação à safra anterior.
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