Carne bovina ganha espaço e movimenta US$ 1,17 bilhão nas exportações de MS

Crédito: Arquivo / Famasul
Crédito: Arquivo / Famasul

Proteína registra alta de 47,9% na receita no primeiro semestre de 2026 e amplia participação na pauta do agronegócio de Mato Grosso do Sul

A carne bovina ganhou espaço nas exportações do agronegócio do Estado no primeiro semestre de 2026. As vendas da proteína ao mercado internacional movimentaram US$ 1,17 bilhão entre janeiro e junho, alta de 47,9% em relação aos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Em volume, Mato Grosso do Sul embarcou 198,1 mil toneladas de carne bovina no primeiro semestre, crescimento de 23,4% na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. O resultado reforça a importância da pecuária para o comércio exterior do Estado.

A carne bovina também ampliou sua participação na pauta de exportações do agronegócio sul-mato-grossense. A proteína respondeu por 20,6% do valor vendido pelo setor ao exterior, aproximando-se da celulose, que representou 25,3% das exportações.

No mesmo período, a receita obtida com as exportações de soja cresceu 30,5%, enquanto a celulose registrou queda de 16,6%. O desempenho da carne bovina, portanto, foi superior ao de outros produtos de destaque na pauta exportadora de Mato Grosso do Sul.

As exportações do agronegócio de Mato Grosso do Sul somaram US$ 5,68 bilhões entre janeiro e junho de 2026, aumento de 12,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. O setor respondeu por 96,1% de todas as exportações realizadas pelo Estado no período.

Segundo a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o crescimento das exportações de carne bovina está relacionado ao fortalecimento da demanda internacional e à competitividade do produto brasileiro.

A China, principal destino da carne bovina de Mato Grosso do Sul, ampliou em 109% o valor das compras no período, enquanto os Estados Unidos aumentaram em 41,7% as aquisições. O avanço ocorreu mesmo com a redução no número de animais abatidos, indicando que o resultado não dependeu apenas do aumento da oferta.

Outro fator que contribuiu para o desempenho foi a valorização da carne bovina no mercado internacional. O preço médio por tonelada exportada por Mato Grosso do Sul aumentou 19,7% no primeiro semestre, enquanto o preço da celulose recuou cerca de 7,8%.

De acordo com Eliamar, o avanço da carne bovina não representa necessariamente uma substituição da celulose na pauta de exportações de Mato Grosso do Sul. A mudança está relacionada principalmente às condições de mercado enfrentadas por cada cadeia, com a proteína beneficiada pela demanda internacional e a celulose pressionada por preços menos favoráveis.

Além do impacto no comércio exterior, a pecuária também contribuiu para a geração de empregos em Mato Grosso do Sul. No primeiro semestre de 2026, a criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 vagas formais. Considerando todo o segmento da pecuária, foram 611 novos postos de trabalho no período.

Apesar do desempenho positivo no primeiro semestre, os dados de julho indicam um cenário de maior cautela. A receita de Mato Grosso do Sul com as exportações de carne bovina para a China caiu 46% em relação a junho, enquanto a receita total obtida pelo Estado com as vendas externas da proteína recuou 17%.

Para o segundo semestre, o setor deverá acompanhar mudanças nas condições de acesso a mercados estratégicos. Entre os fatores estão a cota chinesa para importações com tarifa reduzida e novas exigências da União Europeia relacionadas à comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal.

Para a consultora de Economia do Sistema Famasul, a manutenção do ritmo de crescimento dependerá da capacidade de Mato Grosso do Sul e do Brasil de diversificar mercados, preservar a competitividade da carne bovina e manter a demanda internacional. O câmbio, os preços internacionais e as condições de acesso aos principais destinos também deverão influenciar o desempenho da pecuária no comércio exterior no segundo semestre.

 

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