Segunda safra deve atravessar fases críticas sob risco climático
Parte do milho safrinha em Mato Grosso do Sul já foi semeada fora da janela considerada ideal após o atraso na colheita da soja, provocado pelo excesso de chuvas no norte do Estado nas últimas semanas. A segunda safra entra mais tarde no campo e passa a depender de um regime de chuvas que tende a perder força justamente no período mais sensível do desenvolvimento da cultura.
O problema não está no volume acumulado até aqui, mas no calendário. Segundo o Agro Mensal, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA, com a colheita mais lenta, o plantio avançou de forma irregular. Áreas que, em um ano normal, estariam estáveis dentro da janela agora avançam para um período em que o risco climático cresce.
As projeções indicam redução das precipitações no Centro-Sul entre abril e maio. Para o milho plantado mais tarde, isso significa maior probabilidade de atravessar fases críticas com restrição hídrica, fator que costuma ter impacto direto sobre produtividade.
Até o momento, não há perda confirmada. As lavouras de soja mantiveram bom desempenho, amparadas pelas chuvas recentes, e parte do milho ainda se beneficia da umidade de março. O ponto de inflexão está nas próximas semanas, quando o clima deixa de compensar o atraso e passa a amplificá-lo.
O peso dessa transição é maior porque o milho de segunda safra concentra a maior parte da produção brasileira. Em estados como Mato Grosso do Sul, onde o calendário já saiu do padrão, o resultado final fica mais sensível a variações curtas de clima — não eventos extremos, mas intervalos de chuva mal distribuídos.
No mercado, o pano de fundo é outro. A oferta elevada de soja no Brasil pressiona preços internos no curto prazo, apesar da demanda externa firme, enquanto a alta do petróleo sustenta derivados como o óleo de soja.
Por Djeneffer Cordoba