Aquicultura: no primeiro bimestre de 2026 produção de tilápia cresceu 13,4% com 3,9 mi de peixes

Foto: divulgação
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O volume embarcado saiu de 55 toneladas em 2023 para quase 2 mil toneladas em 2025

Em Mato Grosso do Sul, a presença do pescado vai além do simbolismo na tradição católica, reflete um setor em plena expansão. O crescimento das exportações de tilápia tem consolidado o estado como um dos protagonistas da piscicultura nacional.

​Em um intervalo de apenas três anos, Mato Grosso do Sul ampliou em mais de 3 mil por cento o volume exportado, saindo de 55 toneladas em 2023 para quase 2 mil toneladas em 2025, com receita superior a US$ 10 milhões. Segundo revelou o Boletim técnico de Piscicultura elaborado pelo Sistema Famasul.

Esse avanço no mercado internacional é reflexo direto da expansão da produção local. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que, em 2024, a tilápia liderou o ranking das espécies mais cultivadas no estado, somando quase 22 mil toneladas. Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva segue em ritmo de crescimento: segundo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO), a movimentação de peixes para abate aumentou 25,3% entre 2023 e 2025.

A tendência de alta também se mantém em 2026. Apenas no primeiro bimestre, mais de 3,9 milhões de peixes foram abatidos, um crescimento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

No cenário nacional, Mato Grosso do Sul já ocupa a terceira posição entre os maiores exportadores de tilápia, ficando atrás apenas de Paraná e São Paulo. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que, entre janeiro e fevereiro deste ano, o estado exportou 265 mil quilos do pescado, gerando mais de US$ 1,6 milhão.

Ações que reforçam o trabalho da piscicultura no MS

No Mato Grosso do Sul, o Sistema Famasul atua diretamente com os produtores de piscicultura oferecendo suporte e capacitação na área. Atualmente, a Assistência Técnica e Gerencial em Piscicultura (ATeG), com o apoio do Senar/MS, atende 484 propriedades rurais em 35 municípios do estado.

O trabalho dos técnicos de campo vai desde o planejamento inicial até o controle zootécnico e econômico da produção. As visitas mensais têm como foco auxiliar o produtor rural a produzir com eficiência, produtividade e sustentabilidade.

Além da ATeG, o Senar/MS também oferece, desde 2015, cursos voltados à área de piscicultura, entre eles, processamento de carne de peixe; implantação e manejo básico; e piscicultura avançada. Em 11 anos, foram quase 7 mil certificados entregues.

A Famasul também reforça seu compromisso com os produtores e se faz presente em comissões voltadas para a área de piscicultura. Dentre os colegiados estaduais, a instituição tem participação na Câmara Setorial da Piscicultura. Já em âmbito nacional, está inserida na Comissão Nacional de Aquicultura da CNA. Essas ações buscam promover a inserção dos produtores de todas as áreas do agro do MS.

Recursos pesqueiros

Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da Pesca e Aquicultura (MPA) publicaram, em 13 de março de 2026 , portaria interministerial que estabelece diretrizes para fortalecer a gestão sustentável da pesca no Brasil. A iniciativa integra os esforços do Governo do Brasil para aprimorar o monitoramento e o ordenamento dos recursos pesqueiros no país, além de reforçar o compromisso nacional com a conservação dos ecossistemas aquáticos e o uso sustentável da biodiversidade.

A medida busca fortalecer a produção e a análise de dados pesqueiros, aprimorar os instrumentos de monitoramento e promover práticas que assegurem a sustentabilidade dos recursos pesqueiros.

Na avaliação da secretária nacional de Bioeconomia do MMA, Carina Pimenta, a gestão compartilhada da pesca representa um marco na integração entre as políticas ambientais e a gestão pesqueira. “Essa portaria representa um passo importante para o estabelecimento de uma governança que organize o uso sustentável dos recursos pesqueiros , a rticulando conservação das espécies e dos ecossistemas , desenvolvimento econômico e inclusão social de comunidades pesqueiras”.

A portaria prevê a adoção de critérios técnicos e científicos para subsidiar a gestão sustentável dos estoques pesqueiros, considerando também os conhecimentos tradicionais de pescadoras e pescadores. A integração entre diferentes fontes de informação , c omo pesquisas, programas de monitoramento e bases de dados existentes , é um dos eixos d a medida .

A norma também estabelece a atuação conjunta do MMA e do MPA na coordenação das ações, com a participação de instituições de pesquisa, órgãos federais, entidades representativas do setor e organizações da sociedade civil. O modelo colaborativo busca ampliar a transparência e a efetividade das decisões relacionadas à pesca no país.

 

Por Suzi Jarde

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