Aplicativo da Aprosoja/MS registra mais de 300 ocorrências de suiformes em pouco mais de um mês e reforça monitoramento em MS

Foto: assessoria
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Ferramenta auxilia produtores e órgãos públicos a identificar áreas de risco e planejar ações contra espécies que provocam prejuízos às lavouras

Lançado há pouco mais de um mês, o aplicativo desenvolvido pela Aprosoja/MS para monitorar a presença de suiformes em áreas rurais de Mato Grosso do Sul já contabiliza mais de 315 registros de avistamentos de animais. A ferramenta reúne informações sobre javalis, javaporcos e queixadas, permitindo mapear a ocorrência dessas espécies e gerar informações estratégicas para o planejamento de ações de manejo e controle.

Desenvolvido pela Aprosoja/MS com recursos do Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja de Mato Grosso do Sul, em parceria com a Semadesc(Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o aplicativo transforma registros feitos em campo em inteligência territorial. Por meio da plataforma, é possível acompanhar a distribuição geográfica dos animais, identificar áreas de maior incidência e subsidiar decisões voltadas à proteção da produção agropecuária e da biodiversidade.

Até o momento, os registros abrangem aproximadamente 1,4 mil hectares e contemplam ocorrências nos municípios de Dourados, Rio Brilhante, Antônio João e Jardim, demonstrando a presença dos animais em importantes regiões produtoras do Estado.

Entre os registros realizados, foram identificados 218 javalis, 112 javaporcos e 300 queixadas. Os números representam a quantidade de animais observados nas ocorrências cadastradas e ajudam a dimensionar a presença desses grupos nas propriedades rurais monitoradas.

Por meio do painel de monitoramento, produtores rurais, pesquisadores, entidades do setor e órgãos públicos podem acompanhar, em tempo real, a localização das ocorrências, a frequência dos registros e a concentração dos animais nas diferentes regiões do Estado. As informações também permitem identificar tendências de dispersão populacional, apoiar estudos técnicos e orientar ações preventivas e corretivas de forma mais eficiente.

Antes de integrarem as análises oficiais, todos os registros passam por um processo de auditoria conduzido pela equipe técnica da Aprosoja/MS. São avaliadas a consistência geográfica das informações, a autenticidade das evidências enviadas e a correta identificação das espécies, garantindo maior confiabilidade aos dados utilizados para o monitoramento.

Riscos ao agro e ao meio ambiente

Considerado uma das principais espécies exóticas invasoras presentes no Brasil, o javali representa uma ameaça crescente à produção agropecuária, ao meio ambiente e à sanidade animal. Além dos prejuízos econômicos causados às propriedades rurais, esses animais podem atuar como reservatórios de enfermidades de grande impacto para a pecuária, elevando os riscos para os rebanhos e para a cadeia produtiva.

Nas lavouras, os bandos de suiformes, conhecidos como varas, provocam danos significativos em culturas estratégicas para Mato Grosso do Sul, como soja e milho. O pisoteio, o revolvimento do solo e o consumo de sementes e plântulas comprometem o desenvolvimento das lavouras, reduzem a produtividade por hectare e geram prejuízos aos produtores. Também são frequentes os danos a cercas, bebedouros, sistemas de captação de água e ataques a pequenas criações domésticas.

Os impactos também são expressivos do ponto de vista ambiental. Ao revolverem o solo durante a alimentação, os javalis aceleram processos erosivos, favorecem o assoreamento de nascentes e cursos d’água e alteram a estrutura dos ecossistemas naturais. Além disso, predam ovos, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos, afetando diretamente a fauna nativa do Cerrado e do Pantanal. A competição por alimento e espaço com espécies nativas, como o queixada (Tayassu pecari) e o cateto (Pecari tajacu), contribui para o desequilíbrio ecológico e reforça a necessidade de monitoramento permanente.

Com a consolidação do banco de dados, a expectativa é ampliar o conhecimento sobre a distribuição dessas espécies em Mato Grosso do Sul, fornecendo informações cada vez mais precisas para orientar políticas públicas, fortalecer a defesa sanitária e apoiar estratégias de controle populacional, minimizando os impactos econômicos, ambientais e produtivos causados pelos suiformes no Estado.

Por Ian Netto

 

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