Mais de R$ 105 milhões em dívidas deixam de aparecer em consultas públicas de crédito em MS
Um levantamento dos Cartórios de Protesto acendeu um alerta para consumidores e comerciantes de Mato Grosso do Sul sobre os riscos do chamado “golpe do limpa-nome”.
Segundo os dados, mais de R$ 105,5 milhões em dívidas deixaram de aparecer nas consultas públicas de crédito no Estado, criando uma falsa impressão de regularidade financeira.
Ao todo, foram identificados 11.483 protestos que deixaram de constar nas consultas públicas, envolvendo 787 devedores e impactando 896 credores. Apesar disso, as dívidas continuam existindo e permanecem registradas nos cartórios.
Na prática, o golpe faz com que pendências financeiras deixem de aparecer nos sistemas de consulta utilizados pelo mercado. Com isso, instituições financeiras, fornecedores e comerciantes podem conceder crédito com base em informações incompletas.
Como o consumidor pode se proteger
Especialistas orientam que consumidores que desejam regularizar a situação financeira desconfiem de promessas de “limpeza definitiva do nome” feitas por intermediários ou empresas que garantem a exclusão de registros negativos sem a quitação da dívida.
As recomendações incluem:
– Desconfiar de ofertas que prometem retirar dívidas dos sistemas de consulta sem negociação com os credores;
– Buscar informações diretamente com os credores sobre possibilidades de acordo;
– Utilizar plataformas reconhecidas e oficiais para consultar a situação cadastral;
– Solicitar comprovantes de qualquer negociação realizada;
– Evitar pagamentos antecipados a empresas que garantem soluções rápidas para retirada de restrições de crédito.
Para quem deseja sair da inadimplência de forma segura, a orientação é negociar diretamente com os credores ou buscar auxílio em instituições reconhecidas, como o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), que oferece consultas, orientações sobre renegociação e monitoramento do CPF.
Orientações para lojistas: reforçar análise de crédito é fundamental
Diante do aumento dos casos, a FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul) recomenda que empresários e comerciantes reforcem os procedimentos de análise antes de conceder crédito.
Entre as principais orientações estão:
– Não basear a decisão apenas em consultas rápidas realizadas em birôs de crédito tradicionais;
– Complementar a análise com consultas à base oficial dos Cartórios de Protesto;
– Revisar políticas internas de concessão de crédito;
– Avaliar histórico de relacionamento comercial e capacidade de pagamento do cliente;
– Redobrar a atenção em operações de maior valor ou com prazos mais longos.
Segundo a entidade, a consulta direta aos Cartórios de Protesto representa uma camada adicional de segurança, permitindo identificar pendências que podem não aparecer em outros sistemas.
A publicidade das dívidas protestadas é garantida pelas Leis Federais nº 9.492/1997 e nº 14.382/2022, justamente para assegurar maior segurança jurídica nas relações comerciais.
A preocupação com o avanço do problema levou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) a editar o Provimento nº 225/2026, que prevê o monitoramento das decisões judiciais responsáveis pela retirada de protestos das bases públicas de consulta.
Para mais informações e orientações, consumidores e empresários podem procurar a CDL Campo Grande (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande) pelo telefone (67) 99906-0055 ou pelos canais oficiais da entidade.
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