Lula reúne empresários em meio à ameaça de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros

Foto: Ricardo Stuckert
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quarta-feira (10) da sétima reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como “Conselhão”, em um momento de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. O encontro ocorre às 11h, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, e reúne representantes de diversos setores da economia para discutir temas estratégicos para o desenvolvimento do país.

A reunião acontece em meio à nova ofensiva tarifária anunciada pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros. As sobretaxas podem alcançar até 37,5%, resultado da combinação de uma tarifa de 25% já proposta anteriormente e de uma cobrança adicional de 12,5% aplicada a países acusados de utilizar trabalho escravo em suas cadeias produtivas. O Brasil está entre as nações incluídas nessa medida, segundo comunicado divulgado por autoridades dos Estados Unidos.

Além das tarifas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) apresentou uma série de críticas às políticas brasileiras. Entre os principais pontos estão questionamentos relacionados ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, além de alegações sobre falhas no combate à corrupção, na proteção da propriedade intelectual, na política tarifária para o etanol e na fiscalização do desmatamento ilegal.

De acordo com o relatório norte-americano, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas estariam limitando a atuação dessas empresas no Brasil. O documento também sustenta que acordos comerciais firmados com países como México e Índia concedem vantagens tarifárias consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos. As autoridades americanas ainda alegam que o Brasil não tem adotado medidas suficientes para combater a pirataria, acelerar a concessão de patentes e ampliar o acesso do etanol produzido nos EUA ao mercado brasileiro.

Caso a tarifa de 25% seja efetivamente implementada após a conclusão das audiências públicas previstas para julho, cerca de 21% dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos serão atingidos pela medida. O cenário remete ao tarifaço aplicado em 2025 pelo então presidente Donald Trump, quando as sobretaxas chegaram a 50%. Na ocasião, parte das medidas foi posteriormente revertida e, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana derrubou a taxação ao considerar inadequado o uso de uma lei destinada a situações de emergência nacional para justificar a cobrança.

 

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