El Niño pode reduzir produtividade da soja no Brasil e impactar preços

Marcelo Camargo / Agência Brasil
Marcelo Camargo / Agência Brasil

Enquanto o fenômeno favorece as lavouras dos Estados Unidos, produtores brasileiros enfrentam risco de chuvas irregulares na safra 2026/27 

O fenômeno climático El Niño pode favorecer a safra de soja e milho dos Estados Unidos e pressionar os preços internacionais dos grãos nos próximos meses. A avaliação é da Biond Agro, que acompanha os impactos do clima sobre a produção agrícola global.

Com o plantio da safra 2026/27 em andamento nos Estados Unidos, o mercado monitora os efeitos do fenômeno sobre a produtividade das lavouras. De acordo com dados analisados pela consultoria, anos de El Niño forte costumam resultar em aumento de 123% na produtividade norte-americana. Na Argentina, o avanço médio é de 2%. Já no Brasil, o cenário tende a ser oposto, com redução de 9% na produtividade.

Segundo a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Isabella Pliego, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis durante as fases de floração e enchimento de grãos nos Estados Unidos, a expectativa é de uma safra mais robusta.

“Uma produção maior tende a aumentar a oferta global e pressionar as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago”, explica.

No Brasil, as atenções devem se voltar para o segundo semestre, quando começa o plantio da soja, entre setembro e outubro. A preocupação está relacionada à distribuição irregular das chuvas em importantes regiões produtoras.

De acordo com a análise, enquanto o Sul do país pode registrar maior volume de precipitações, áreas como Mato Grosso, Matopiba e parte do Centro-Oeste podem enfrentar períodos de estiagem, calor intenso e veranicos no início da safra.

Na Argentina, por outro lado, o fenômeno tende a favorecer a produção agrícola. O aumento da umidade durante o período de plantio, entre outubro e dezembro, pode contribuir para a recuperação das lavouras de soja e milho.

A consultoria destaca que o impacto do El Niño sobre os preços pode mudar ao longo da temporada. Em um primeiro momento, uma safra mais produtiva nos Estados Unidos tende a pressionar as cotações. No entanto, eventuais problemas climáticos no Brasil podem reverter esse cenário.

Segundo Isabella Pliego, Mato Grosso merece atenção especial por ser um dos principais produtores de soja do país. Caso haja atraso ou irregularidade das chuvas no Estado, o mercado poderá reagir com alta nos preços devido ao risco para a oferta brasileira.

Nesse cenário, a tendência é que investidores e compradores passem a incorporar um prêmio climático às cotações da safra brasileira, refletindo as incertezas sobre a produção.

 

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