Pantanal tem maior queda no desmatamento do País, mas MS lidera área degradada com autorização ambiental

Foto: Lucas Leuzinger
Foto: Lucas Leuzinger

Cerrado permanece, pelo terceiro ano consecutivo, como o bioma mais afetado a nível nacional

O Pantanal registrou em 2025 a maior redução proporcional de desmatamento entre todos os biomas brasileiros, com queda de 48,4% em relação a 2024, mas perdeu 12.260 hectares de vegetação nativa ao longo do ano. Em Mato Grosso do Sul, o relatório aponta outro dado que chama atenção: 75,2% da área desmatada no Estado nos últimos sete anos teve sobreposição com autorizações ambientais federais ou estaduais, o maior percentual do país.

Os dados fazem parte do RAD 2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil), divulgado nesta quarta-feira (27), que mostra ainda que o Brasil desmatou 984.794 hectares de vegetação nativa em 2025 — a primeira vez desde o início da série histórica, em 2019, que o país ficou abaixo da marca de 1 milhão de hectares devastados em um único ano.

Pantanal tem maior queda proporcional

O Pantanal foi o bioma brasileiro que apresentou a maior redução proporcional na área desmatada em 2025. Segundo o levantamento, a devastação caiu 48,4% em relação ao ano anterior, totalizando 12.260 hectares de vegetação nativa suprimida no período.

É o segundo ano consecutivo em que o bioma registra reduções próximas de 50% no desmatamento. Mesmo assim, o Pantanal ainda corresponde a 1,2% de toda a área desmatada no Brasil neste ano.

O bioma contabilizou 163 alertas de desmatamento em 2025, o equivalente a apenas 0,4% do total nacional. Ainda assim, houve aumento de 5,5% na quantidade de alertas avaliados, fenômeno que, segundo o relatório, pode estar relacionado à melhoria nos sistemas de detecção e não necessariamente ao aumento da devastação validada.

Outro dado que chama atenção é o tamanho médio dos eventos de desmatamento no Pantanal. Mesmo com queda de 32,1% em relação a 2024, o bioma continuou registrando a maior média do país, com 75 hectares por alerta.

Além disso, 77,7% de toda a área desmatada no Pantanal ocorreu em áreas superiores a 100 hectares, embora esses grandes desmates representem apenas 23,3% dos alertas validados.

Corumbá registra alerta de desmatamento

Entre os casos monitorados pelo MapBiomas, um alerta localizado em Corumbá apresentou a maior velocidade média de desmatamento no Pantanal em 2025.

O alerta atingiu 215,8 hectares e avançou a uma média de 11,4 hectares por dia. Mesmo com redução de 48,5% na velocidade média em relação ao ano passado, o Pantanal ainda lidera o ranking nacional nesse indicador, com média de 0,98 hectare desmatado por dia em cada evento registrado.

O maior desmatamento identificado no bioma em 2025 ocorreu em Porto Murtinho. O alerta, de código 1507771, atingiu 687,97 hectares.

MS lidera proporção de desmatamento autorizado

Mato Grosso do Sul aparece em posição de destaque em outro indicador: a sobreposição entre desmatamento e autorizações ambientais.

Segundo o relatório, 75,2% da área desmatada em Mato Grosso do Sul nos últimos sete anos ocorreu com algum tipo de autorização federal ou estadual, o maior percentual do país. Em números absolutos, isso representa 277.357 hectares.

O Estado também apresentou crescimento expressivo nessa proporção ao longo da série histórica: o percentual de desmatamento associado a autorizações ou ações de fiscalização passou de 31,6% em 2019 para 94,3% em 2025.

Ao mesmo tempo, Mato Grosso do Sul está entre os estados com menor percentual de áreas desmatadas sobrepostas a ações de fiscalização, com apenas 4,7%.

No ranking nacional, o estado aparece na 15ª posição em número de alertas de desmatamento, com 659 registros, e na 9ª colocação em área desmatada, somando 36.776 hectares.

Cerrado segue como principal foco de devastação

Mesmo com redução de 16,9% em relação ao ano anterior, o Cerrado permanece, pelo terceiro ano consecutivo, como o bioma mais desmatado do país.

Em 2025, foram devastados 540.614 hectares no bioma, área que representa 54,9% de toda a vegetação nativa perdida no Brasil — quase o dobro do registrado na Amazônia no mesmo período.

O Cerrado também concentrou mais de 70% da área desmatada em áreas protegidas e imóveis rurais privados. Segundo o MapBiomas, 87% de toda a área desmatada no bioma ocorreu dentro de propriedades privadas.

No Pantanal, esse percentual é ainda maior: 95,6% do desmatamento ocorreu em imóveis rurais privados.

Pantanal não teve desmatamento em unidades de conservação

Um dos poucos indicadores positivos destacados no relatório é que o Pantanal não registrou desmatamento em Unidades de Conservação em 2025.

Nos demais biomas brasileiros que tiveram registros de supressão vegetal em áreas protegidas, as APAs (Áreas de Proteção Ambiental) foram as categorias mais impactadas.

Ao todo, o Brasil perdeu 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa entre 2019 e 2025, segundo os dados consolidados do MapBiomas Alerta.

Risco de incêndios
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta semana, que a União e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal apresentem, em até dez dias úteis, as medidas de prevenção e preparação para a temporada de incêndios florestais de 2026. A decisão foi tomada no âmbito da ADPF 743, ação que acompanha políticas estruturais de combate ao fogo nessas regiões.

Segundo o despacho, as projeções climáticas indicam risco elevado de incêndios neste ano, com previsão de temperaturas acima da média e persistência de déficit hídrico. O ministro destacou ainda a possibilidade de intensificação do fenôeno El Niño — inclusive com cenário de “super El Niño” — entre setembro e outubro, período historicamente mais crítico para queimadas.

Uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais aponta que a combinação de seca prolongada, calor intenso e baixa umidade relativa do ar pode agravar significativamente o cenário ambiental na Amazônia Legal e no Pantanal.

Por Geane Beserra

 

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