Apicultura avança em Mato Grosso do Sul e transforma paixão em oportunidade de negócio

Foto: Roberta Martins
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Gustavo Bijos destaca desafios do setor e defende gestão para ampliar produção e renda no campo

O amor pelas abelhas quase sempre é o primeiro passo para quem entra na apicultura. Mas, o futuro da atividade ainda depende de planejamento, gestão e visão de mercado. Gustavo Bijos, apicultor e consultor técnico garante que em meio a desafios como tarifas internacionais, embargos comerciais e oscilações no consumo, o produtor precisa defender mudanças de mentalidade. “Todo empreendedor enfrenta desafios. Na apicultura não é diferente. A diferença é que muita gente ainda entra na atividade apenas pela paixão. E paixão é importante, mas sem planejamento e gerenciamento fica difícil crescer”, afirma.

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Segundo ele, o setor ainda precisa avançar principalmente na gestão da produção e dos custos. “Muitos produtores ainda não sabem exatamente quanto custa produzir um 1 quilo de mel ou de própolis. Isso é básico em qualquer negócio”, explica.

Ainda em entrevista exclusiva para o jornal, Gustavo afirma que ensinar apicultura vai muito além de repassar técnicas de manejo ou produção de mel. O objetivo, é mostrar aos alunos e produtores que a atividade pode ser economicamente sustentável e capaz de transformar realidades familiares. Em cursos, consultorias e nas redes sociais, ele procura incentivar uma visão mais empreendedora do setor, reforçando que a apicultura e a meliponicultura precisam ser tratadas como negócios organizados, com planejamento e gestão. Ao mesmo tempo, destaca o papel ambiental das abelhas na produção de alimentos. “Eu tento motivar as pessoas a entenderem que é possível crescer, gerar renda e construir qualidade de vida dentro da atividade, mas sempre com responsabilidade, conhecimento e organização”.

O estado de Mato Grosso do Sul se destaca pela alta produtividade, alcançando 766 mil quilos de mel em 2024, com valor superior a R$ 14 milhões, de acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal. Três Lagoas foi responsável por 17% desse resultado, liderando a produção. Jardim, Selvíria e Chapadão do Sul também avançaram no setor da apicultura ao longo dos últimos anos.

Conhecimento aliado ao empreendedorismo

A vocação de Gustavo para ensinar surgiu cedo, ele conta que foi em 2000, durante um estágio em Santa Catarina que percebeu o quanto os produtores da região estavam mais organizados tecnicamente do que os apicultores sul-mato-grossenses na época. “Quando vi o nível de organização deles, senti que precisava trazer esse conhecimento para Mato Grosso do Sul”.

Foi essa experiência que o levou ao trabalho com cursos e consultorias. Em 2001, ele ministrou sua primeira capacitação em apicultura e desde então passou a atuar na formação de produtores rurais. “Eu percebi que ensinar poderia melhorar a qualidade de vida das famílias. Quando o produtor melhora a produção e a gestão, ele gera mais renda para ele, para o município e para o estado”, destaca.

Hoje, além dos apiários, ele também se tornou referência em consultorias, palestras e produção de conteúdo sobre apicultura. ” Eu acho que nasci com a vocação de querer ver as pessoas sempre bem, e isso vem comigo desde criança. E foi no Sul que eu percebi que tinha que repassar o ensinamento, que eu tinha que ensinar e descobrir uma vocação que realmente é uma paixão poder transmitir conhecimento e experiências. É por isso que eu adoro visitar e participar de eventos, porque a gente troca muito informação e isso acaba contribuindo com a melhoria da atividade, gerando renda para as famílias, para os municípios, para o estado e para o mundo”.

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Sobre a comercialização, o apicultor afirma que no início produziu uma quantidade que não esperava. ” Eu não tinha muita certeza que ia conseeguir vender tudo no começo, e na verdade faltou mel naquele ano. E aquilo me chamou atenção, mais uma vez. Acabei descobrindo que tinha um mercado em potencial muito grande pra ser trabalhado. Os clientes são muito diversos, desde atletas até pessoas que estão com alguma enfermidade, já que ele é considerado um alimento funcional, antibiótico natural e que já foi comprovado por pesquisas científicas que a própolis ajuda a curar inúmeras doenças, inclusive vários tipos de tumores”, declarou o apicultor.

Parceria Sebrae MS

Por meio de capacitações, consultorias técnicas, incentivo ao empreendedorismo e acesso à inovação, o Sebrae MS auxilia pequenos produtores rurais a transformarem a produção rural em um negócio sustentável. Além de fomentar o agronegócio em toda a sua cadeia, desde o fornecimento de insumos até a comercialização dos produtos, o Sebrae também atua no resgate da extensão rural, promovendo conhecimento técnico e gestão eficiente para jovens e adultos do meio rural. O objetivo é garantir mais produtividade, geração de renda e qualidade de vida para as famílias agricultoras, valorizando o trabalho no campo e fortalecendo a economia dos municípios sul-mato-grossenses.

Produção recorde no Brasil

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Em 2024, a produção brasileira de mel alcançou 67 mil toneladas. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), o Brasil ocupa a 7ª colocação no ranking mundial, representando 3% da produção mundial. Os países sul-americanos ficam atrás apenas dos asiáticos, que têm a China como maior produtora (445 mil toneladas).

Metade da produção em território nacional está concentrada em quatro estados: Paraná (9,8 mil toneladas), Piauí (8,6 mil toneladas), Rio Grande do Sul (8,1 mil toneladas) e Minas Gerais (7,3 mil toneladas)

No Sul, a produção de mel é impulsionada pelas extensas áreas de reflorestamento com pinus e eucalipto, aliadas à profissionalização dos apicultores e à organização cooperativa. No Nordeste, a riqueza da flora da Caatinga, as condições favoráveis do semiárido e a expansão da agricultura familiar fortalecem a atividade.

O Brasil possui mais de 100 mil estabelecimentos com apicultura, segundo o último Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017.

A região Sul concentra quase 70% dos estabelecimentos brasileiros, puxada pelo estado do Rio Grande do Sul com 37%. Em número de colmeias, o país soma 2,16 milhões, com cerca de 50% (1,04 milhões) estabelecidas na região Sul, sendo 23% só no Rio Grande do Sul.

Por Polyana Vera

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