TRE faz nesta manhã recontagem dos votos após condenação de Trutis

TRE-MS - Foto: DIvulgação
TRE-MS - Foto: DIvulgação

Retotalização marcada para quinta-feira pode tirar vaga do PL e levar João César Mattogrosso à Alems

A retotalização dos votos das eleições será realizada na manhã desta quinta-feira (21), pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) e pode alterar a composição da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). A medida ocorre após a condenação definitiva do ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, o Tio Trutis (PL), e da ex-esposa dele, Raquelle Lisboa Alves Souza (PL), por irregularidades na campanha eleitoral de 2022.

Com a nova contagem, o deputado estadual Neno Razuk (PL) pode perder o mandato na Assembleia Legislativa. Atualmente, ele ocupa uma das três cadeiras conquistadas pelo Partido Liberal nas eleições de 2022. À época, a legenda obteve 132.945 votos para deputado estadual. No entanto, com a anulação dos 10.782 votos recebidos por Raquelle Trutis, o partido cairia para 122.163 votos e perderia uma das vagas obtidas pela regra das sobras eleitorais.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) entendeu que o então casal praticou lavagem de dinheiro durante o período eleitoral, utilizando empresas para ocultar movimentações ilícitas de recursos públicos. O valor investigado gira em torno de R$ 776 mil e, com correção monetária, ultrapassa R$ 1 milhão.

O processo já transitou em julgado, ou seja, não há mais possibilidade de recurso por parte de Loester Trutis, Raquelle Trutis e dos demais envolvidos na ação eleitoral. Com isso, o TRE-MS determinou o reprocessamento da totalização dos votos para deputado estadual e federal. Apesar da recontagem, não deve haver alteração na bancada federal de Mato Grosso do Sul.

O secretário-geral do PL em Mato Grosso do Sul, deputado estadual Coronel David, afirmou que o partido já articula medidas jurídicas para tentar manter a cadeira na Assembleia Legislativa. “Bom, primeiro que isso decorre de uma ação ajuizada. Falando de forma partidária, já existe uma movimentação dentro do PL regional para garantir sustentação jurídica ao deputado Neno Razuk, para que o partido não perca essa vaga, que é bastante significativa para nós”, declarou.

O parlamentar disse ainda que a legenda avalia quais medidas poderão ser tomadas após a retotalização dos votos. “Eu não sei ainda qual medida jurídica será adotada, mas já há uma articulação nesse sentido dentro do partido”, completou.

O deputado estadual Pedro Arlei Caravina (PSDB) explicou que, pelas regras de distribuição das sobras eleitorais, a tendência é de que a cadeira atualmente ocupada pelo PL passe ao PSDB após a recontagem.

“O PSDB realmente teria direito a mais uma vaga com a recontagem dos votos. A distribuição das sobras é feita a partir da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras. O PSDB teve seis deputados eleitos, enquanto o PL elegeu três”, afirmou.

Segundo o parlamentar, com a retirada dos votos de Raquelle Trutis, o PSDB passaria a ter a maior sobra eleitoral e ampliaria a bancada para sete deputados estaduais, enquanto o PL perderia uma cadeira.

“Já na bancada federal não haveria mudança, porque, mesmo com a perda dos votos de Trutis, o PL ainda manteria a maior sobra”, explicou.

Com a recontagem, a vaga deve passar ao PSDB, que alcançou 293.036 votos no pleito e passaria a garantir mais uma cadeira no Legislativo estadual. O beneficiado seria o primeiro suplente tucano, João César Mattogrosso, atual diretor- executivo do Detran-MS. Neno Razuk recebeu 17.023 votos nas eleições de 2022, enquanto João César Mattogrosso somou 11.650 votos.

Entre os tucanos, a possível mudança foi recebida de forma positiva. A deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) afirmou que o retorno de João César fortalece a bancada da legenda na Assembleia.

“Para o partido, é positivo porque amplia nossa representatividade na Assembleia. O João César Mattogrosso já tem experiência no parlamento e acredito que será muito bom para o PSDB, que mostra estar mais vivo do que nunca”, afirmou.

O vereador e presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), também comemorou a possibilidade de o correligionário retornar ao Legislativo estadual.

“Eu comemoro porque é um amigo que pode retornar à Assembleia. O João César Mattogrosso é um excelente parlamentar, uma pessoa séria e importante para a política de Mato Grosso do Sul. O PSDB retoma um assento importante no Parlamento, e acredito que ele também pode reforçar a relação entre a Assembleia e a Câmara”, declarou.

Além da possível perda do mandato, Neno Razuk também deixaria de ter foro privilegiado. O deputado foi condenado no ano passado a mais de 15 anos de prisão por organização criminosa e exploração do jogo do bicho, no âmbito da Operação Sucessione, que investiga a disputa pelo controle da atividade em Campo Grande. O parlamentar foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) como integrante do esquema investigado.

Após a condenação, a defesa recorreu alegando que Neno não poderia ter sido julgado em primeira instância em razão do foro privilegiado garantido pelo mandato parlamentar. No entanto, a condenação foi mantida.

Em entrevista, João César afirmou que recebeu a notícia com surpresa e aguarda a conclusão da retotalização dos votos.

“Fui pego de surpresa no decorrer da semana passada com essa notícia, que considero positiva. Agora, aguardamos a retotalização dos votos, marcada para quinta-feira, no TRE. Depois disso, ainda será necessário esperar a convocação do presidente do Poder Legislativo”, afirmou.

O tucano também disse que está preparado para assumir a cadeira caso a mudança seja confirmada após a nova contagem dos votos.

“Se isso realmente acontecer, assumiremos o mandato com responsabilidade nesse período restante da legislatura. Foram milhares de pessoas que confiaram no nosso trabalho e esperam que possamos representar a população da melhor maneira possível”, completou.

A reportagem tentou contato com o deputado estadual Neno Razuk (PL) e com o ex-deputado federal Loester Trutis, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.

Por Danielly Carvalho, Lucas Artur

 

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