A convocação da Seleção Brasileira feita anteontem (18), pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, movimentou torcedores em Campo Grande. Mais que isso, colocou Neymar novamente no centro das discussões. Entre confiança no elenco e dúvidas sobre o rendimento do camisa 10, o clima nas ruas é de divisão quanto ao papel do craque e ao potencial da equipe no Mundial. Para alguns, a presença de Naymar ainda é essencial. Para outros, já não se justifica mais.
O vendedor Isaac Barbosa está entre os mais críticos. “Eu esperava que o Neymar não fosse pra Copa, porque acho que pra ele já deu. Não mostrou o suficiente”, afirma. O ceticismo dele também se estende ao desempenho da equipe: “Vou ser sincero: não. Acho que, no máximo, passa até as oitavas”.
Do outro lado, há quem veja no craque um diferencial decisivo. O também vendedor Fernando Henrique Barbosa não tem dúvidas: “Curti muito. Ele joga demais. Não dá pra desacreditar. É um cara diferenciado”. Para ele, o cenário é positivo: “Acho que agora dá pra ganhar a Copa do Mundo”.
A figura de Neymar como símbolo da Seleção ainda pesa para parte dos torcedores. O aposentado Maradona Reche – que, a despeito do nome, estava usando uma camisa do Brasil – enxerga o jogador como peça fundamental no aspecto psicológico. “É um mito dos brasileiros. Os adversários já têm que tremer quando ele vem. Aí já muda o emocional”, avalia.
Já a vendedora Ramires Brito segue na contramão. Para ela, o impacto é negativo. “Sinceramente, não gostei. Na minha opinião, ele só entrou pra atrapalhar. Sempre arruma confusão, além de ser ‘cai-cai’”, critica.
Confiança moderada e cautela
Mesmo entre os que aprovam a convocação, o otimismo não é unânime. O autônomo Ailton Maia adota um tom mais cauteloso ao projetar o desempenho brasileiro. “Se chegar na semifinal já é vitória. Tem seleções muito fortes”, pondera.
Já o comerciante Sérgio Luiz Fernando Batista admite que a convocação reacendeu a esperança. “Eu estava desanimado, mas depois da convocação deu uma animada. Quando a Copa chega, o coração começa a acreditar”, conta.
Entre críticas pontuais e apostas otimistas, um consenso parece distante. Se por um lado há confiança na qualidade do elenco, por outro, a desconfiança em relação ao protagonismo de Neymar e à força dos adversários mantém o torcedor dividido.
No fim, como resumiu Maradona Reche, a chave pode estar menos nas individualidades e mais no coletivo: “Tem que tirar estrela, não tem estrela, não tem nada. É união. A união faz a força”.
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Por Ricardo Prado