Consumidores relatam frustração nas audiências após problemas de trânsito impedirem acesso ao evento em Campo Grande
Foi iniciada recentemente as audiências de conciliação de mais de 230 fãs que procuraram o Procon-MS (Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor) após não conseguirem assistir ao show do Guns N’ Roses, em Campo Grande, no dia 9 de abril.
O evento aconteceu no Autódromo Internacional e foi marcado por um congestionamento de 13 km, que impediu a chegada dos fãs ao local. Além das audiências já agendadas, a Santo Show, organizadora do evento, respondeu ao Procedimento de Investigação Preliminar do Procon-MS e aderiu à Carta de Informação Eletrônica.
Entretanto, muitas pessoas afirmam não terem apoio. Em um grupo formado no WhatsApp com pessoas que não conseguiram chegar ao show, as mensagens de reclamações são extensas. Um fã relata que já perdeu as esperanças. “Após a conversa com o conciliador do Procon, a minha sugestão é que vocês esqueçam qualquer solução por parte dessa empresa, porque não sairá nada de lá. A única alternativa que resta é ingressar com ação judicial.” Outra fã concorda: “Minha audiência é dia 22, mas estou prevendo que vai ser do mesmo jeito para todos”, relata.
Questionados pela equipe do jornal, outros fãs alegaram um grande descaso com essa situação. Airton Dias não conseguiu chegar ao show e recorreu ao Procon na esperança de conseguir o reembolso, mas não obteve a resposta que gostaria. “Alegaram que a responsabilidade pelo trânsito não era deles, que tinham todas as autorizações dos órgãos e que não têm ação sobre o trânsito. Por isso, não se responsabilizam pelo prejuízo das pessoas que não conseguiram chegar.” Airton ainda afirma que irá recorrer judicialmente e que o prejuízo deles será maior.
Segundo o órgão, até o dia 19 de maio havia 244 reclamações de pessoas que compraram ingressos, mas não conseguiram chegar a tempo de assistir ao show.
Possíveis falhas
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul abriu procedimento para apurar falhas na organização do show da banda Guns N’ Roses. A investigação mira problemas na logística de acesso ao evento e na prestação de serviços aos consumidores, após congestionamentos impedirem parte do público de assistir ao show.
A investigação, instaurada por meio de uma portaria publicada no DOE (Diário Oficial do Estado), tem como alvo as empresas Almeida Junior Eventos Ltda. e Santo Show Produções e Eventos Ltda., responsáveis pela organização do evento.
Conforme a Defensoria Pública, o objetivo é reunir elementos para verificar possíveis problemas relacionados à organização do show, à logística de acesso ao local e à garantia da prestação do serviço contratado aos consumidores.
O procedimento será conduzido pela Coordenadoria do Nuccon (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa do Consumidor), vinculada à Defensoria Pública em Campo Grande. A apuração tem como base dispositivos da Constituição Federal e do CDC (Código de Defesa do Consumidor), especialmente os que tratam do direito à informação adequada, da reparação de danos e da proteção dos consumidores. O prazo inicial para conclusão da investigação é de 45 dias, mas há possibilidade de prorrogação.
Em nota enviada a equipe do jornal O Estado, o Procon-MS esclareceu que o resultado das audiências de conciliação está acessível às partes envolvidas. “Todos os processos seguem as normas previstas Código de Defesa do Consumidor e no Decreto nº 15.647/21, que definem a apuração de infrações contra o consumidor no âmbito estadual”, detalhou.
Ainda segundo o orgão, o número de audiências, no entanto, está sujeito à comparação das partes no dia e hora previamente agendados. “Em resposta ao PIP (Procedimento de Investigação Preliminar), a empresa promotora do evento aderiu à CIP (Carta de Informação Preliminar) eletrônica, o que possibilitará aos próximos consumidores uma resposta mais célere em relação à sua demanda. Ressaltamos que a atuação do Procon Mato Grosso do Sul ocorre na esfera administrativa e visa promover uma relação harmônica entre as partes”, completou.
Por Polyana Vera