A Câmara Municipal de Campo Grande foi palco do Debate Público Maio Laranja na manhã desta segunda-feira (18) – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infantil no Brasil, para discutir sobre a prevenção e enfrentamento da violência e exploração sexual infantil. Nesta data, é o dia nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil no Brasil
O evento reuniu autoridades policiais, representantes da Vara da Infância e Juventude, conselheiros tutelares, representantes da educação municipal e estadual, rede de proteção e instituições ligadas à defesa da criança e do adolescente. A coordenadora do Projeto NOVA Transforma, Viviane Vaz, foi uma das palestrantes do debate.
Pauta de grande relevância social, diante do aumento das denúncias de violência infantil no Brasil e da necessidade de fortalecimento das ações de prevenção, conscientização e acolhimento.
Ao jornal O Estado, a superintendente de Proteção Especial da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), Tereza Cristina Miglioli Bauermeister, falou sobre a importância do debate. “É muito importante falarmos sobre a violação dos direitos de nossas crianças e adolescentes. Nós, como SAS, trabalhamos muito durante todo o ano na proteção de crianças e adolescentes, mas em maio, o “Maio Laranja”, intensificamos com mais eventos, ações, e buscamos nos aproximar das famílias para orientá-las, fornecer material educativo e sensibilizá-las. Orientamos as famílias sobre a importância de estarem atentas, observando as mudanças no comportamento das crianças e adolescentes, seja em casa, na escola ou em qualquer outro lugar”, detalhou.
O defensor público e coordenador do Nudeca (Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente), Edson Cardoso também participou do ato. “Uma das missões da Defensoria Pública é a defesa da vítima, especialmente em casos de violência sexual. Este mês é importante porque reforça o que já fazemos diariamente: a educação em direitos. Acreditamos que, quando o fato chega ao conhecimento das autoridades e da rede de proteção, a violência já se perpetuou. A educação em direitos orienta a vítima sobre seus direitos e o que pode ou não ser feito, assim como orienta a família sobre os sinais que a criança pode apresentar para que a violência seja interrompida”, disse ele.
Segundo Viviane Vaz, o enfrentamento da violência exige mobilização permanente da sociedade. “A violência contra crianças e adolescentes não pode ser naturalizada. Precisamos fortalecer as redes de proteção, ampliar a conscientização e garantir que cada criança tenha seu direito à infância preservado”.
O mês de maio acende um alerta que vai além das campanhas institucionais: chama a atenção para uma realidade ainda marcada pelo silêncio. A violência sexual contra crianças e adolescentes segue como um dos crimes mais subnotificados no Brasil e, na maioria dos casos, acontece dentro de ambientes onde a proteção deveria ser garantida.
Além das ações presenciais, a campanha reforça a importância dos canais de denúncia. Casos de violência podem ser comunicados de forma anônima pelo Disque 100, principal canal nacional de proteção aos direitos humanos.
Denúncias em todo o país
Em 2026, a campanha ‘Maio Laranja’ ganha ainda mais relevância diante do crescimento das denúncias em todo o país e da gravidade dos casos registrados em Mato Grosso do Sul. Dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que o Disque 100 registrou mais de 657 mil denúncias de violações de direitos humanos em 2024, um aumento de 22,6% em relação ao ano anterior. Em 2025, o serviço manteve alta demanda, reforçando um cenário permanente de alerta e a necessidade de fortalecimento das redes de proteção.
No recorte da violência sexual infantil, os números são ainda mais alarmantes. Estimativas nacionais indicam que, a cada hora, sete casos de estupro de vulnerável são registrados no Brasil. Especialistas alertam, porém, que a realidade pode ser muito maior, já que apenas cerca de 10% dos casos chegam oficialmente às autoridades.
Outro ponto que preocupa é o perfil das ocorrências. Diferente do senso comum, a violência sexual contra crianças e adolescentes acontece, majoritariamente, dentro de casa ou em círculos de confiança da vítima. Levantamentos apontam que aproximadamente 80% dos casos ocorrem no ambiente familiar.
Além disso, o ambiente digital passou a representar um novo espaço de vulnerabilidade. Somente em 2025, o Brasil registrou mais de 49 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet, evidenciando o avanço dos crimes virtuais envolvendo crianças e adolescentes.
Mais do que uma mobilização pontual, o ‘Maio Laranja’ reforça um compromisso coletivo permanente: proteger crianças e adolescentes da violência e romper o silêncio que ainda encobre milhares de vítimas no País.
Com Juliana Aguiar
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