Judô: Diferentes caminhos marcam equipe de Coxim rumo à Argentina

Equipe de Coxim disputa torneio internacional semana que vem - Foto: Arquivo pessoal
Equipe de Coxim disputa torneio internacional semana que vem - Foto: Arquivo pessoal

De várias idades, judocas de Coxim falam de expectativa em viagem

A participação da Arruda Team na 27ª Copa Internacional Hacoaj de Judô, nos dias 23 e 24 deste mês, em Buenos Aires (ARG), pode ser contada por diferentes ângulos. Do sonho precoce de crianças no alto rendimento ao esforço coletivo fora do tatame, a equipe de Coxim carrega histórias que vão além da disputa por medalhas — e encontram no treinador Jefferson Arruda o ponto de convergência.

Responsável pela preparação dos atletas e também competidor na categoria M5-90 (Master 50 a 54 anos – até 90 kg), Jefferson, 51 anos, lidera um grupo de seis judocas que representa diferentes fases da vida esportiva. Ao mesmo tempo em que orienta jovens promessas, encara o desafio de competir internacionalmente, reforçando o caráter coletivo da equipe.

“Um atleta, para chegar ao pódio, precisa de todos os fatores em dia: técnica, cabeça boa, acreditar sempre e estar com a parte física impecável. Se faltar um desses fundamentos, o resultado não vem”, afirma a O Estado.

Entre os destaques estão Adélia Nogueira Moraes, de nove anos, e Maria Fernanda da Silva Rocha, de oito, que simbolizam o início precoce no esporte de alto rendimento. Apesar da idade, ambas já convivem com uma rotina intensa de treinos e competições, conciliando o judô com os estudos e outras atividades.

Maria Fernanda compete há, pelo menos, cinco anos, enquanto Adélia, mesmo com pouco mais de dois anos de trajetória, soma entre 25 e 30 competições. “Elas são muito dedicadas nos treinamentos, treinam de quatro a cinco vezes por semana, entre duas e três horas por dia. Além disso, têm bom desempenho fora do tatame”, destaca Jefferson.

A preparação para o torneio internacional inclui treinos extras aos fins de semana e uma sequência de competições recentes em diferentes cidades. Adélia chega embalada por resultados importantes no jiu-jitsu, como o vice-campeonato mundial No-Gi, além de pódios em competições nacionais.

Mais do que resultados imediatos, o treinador reforça a importância da formação pessoal das atletas. “Eu falo para elas que o principal que o judô e o jiu-jitsu ensinam é ser boas pessoas dentro e fora do tatame. Podem até se tornar medalhistas mundiais ou olímpicas, mas, se isso não acontecer, que levem para a vida os aprendizados.”

Experiência internacional
Outro ângulo que marca a trajetória da equipe está fora do tatame. A participação em uma competição internacional exige mobilização de famílias e busca por apoio financeiro, envolvendo custos com transporte, alimentação e hospedagem.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) solicitou a disponibilização de sete passagens aéreas. Segundo a assessoria, “o pedido contempla atletas, instrutores e responsáveis legais do município de Coxim.” A solicitação, acrescenta, “foi construída em conjunto com o deputado Junior Mochi (MDB), reforçando o compromisso dos parlamentares com o incentivo ao esporte e à formação de jovens talentos no interior do Estado.”

Equipe completa
A Copa Hacoaj reúne atletas de diversos países da América do Sul, elevando o nível técnico e a exigência psicológica dos competidores. Para os mais jovens, trata-se de uma oportunidade rara de vivenciar o cenário internacional desde cedo — algo que o próprio treinador não teve na mesma fase da vida. “Eu mesmo só fui disputar uma competição internacional já com quase 40 anos. Hoje, a gente abre caminhos para que eles tenham essas oportunidades mais cedo”, ressalta.

Além de Adélia, Maria Fernanda e Jefferson, a Arruda Team é formada por Mariana da Silva Gomes, de 13 anos, e pelos atletas adultos Osvaldo José dos Santos Filho e Fabiano Gonçalves Sena, de 49 e 40 anos respectivamente.

Com trajetórias distintas, mas objetivos em comum, a equipe leva para Buenos Aires não apenas a busca por resultados, mas um conjunto de histórias que mostram diferentes caminhos possíveis dentro do esporte — todos conectados pelo mesmo tatame.

Por Ricardo Prado

 

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