Suspensão da UE “deve impactar preços da arroba”, analisa o diretor da ABPO

O veto acende alerta no agro sul-mato-grossense sobre exportações da carne - Foto: reprodução
O veto acende alerta no agro sul-mato-grossense sobre exportações da carne - Foto: reprodução

Executivo da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica, Guilherme Oliveira, concedeu exclusiva ao jornal O Estado

Setores do agronégocio brasileiro reagiram com preocupação após decisão da UE sobre exportação de produtos animais. O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), entidades do setor produtivo e a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) informaram que receberam a medida com surpresa e que o governo irá “tomar prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão”. A medida anunciada começa a valer a partir de setembro de 2026.

A União Europeia retirou nesta terça-feira (12), o Brasil da lista de países considerados adequados às regras europeias sobre controle do uso de antibióticos na pecuária.

A regra, tem como base o Regulamento (UE) 2019/6 e estabelece que apenas países que comprovem não utilizar substâncias para promoção de crescimento ou aumento de rendimento animal poderão manter autorização.

Em entrevistado exclusiva para o jornal, o diretor executivo da ABPO (Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável), Guilherme Oliveira afirma que os impactos econômicos para os produtores rurais podem se tornar graves. “Nós temos um mercado muito bom em relação União Europeia, é um mercado de valor agregado, muito importante até por formar tendências por parte da UE. E isso pode trazer sim, impactos para o produtor, porque ele deixa de ter uma alternativa de venda de alto valor agregado”, pontua.

Oliveira, ainda reforçou a preocupação com a situação, mas ponderou: “já sabemos que as autoridades e os órgãos competentes estão a favor do produtor e já estão negociando para que isso seja revertido. Só que existe uma preocupação de antemão, imediata, que é o preço no mercado”, destacou.

As pastas destacaram ainda que as exportações seguem normalmente até a entrada em vigor da nova regra e reforçaram que o Brasil mantém um sistema sanitário considerado robusto e reconhecido internacionalmente. O país é um dos principais fornecedores globais de proteínas de origem animal e exporta para o mercado europeu há cerca de 40 anos.

Guilherme ainda destaca que o veto tem grandes possibilidades de movimentar o preço da arroba pra baixo. ” A gente precisa ficar bem atento, já que pode causar uma pressão de baixa. E o produtor deve ficar bem antenado para se posicionar na hora da venda para o frigorífico porque, com certeza, a gente vai ser afetado em relação ao preço”, lamenta o diretor da ABPO.

Guilherme relacionou sobre o risco sanitário para o Brasil e o comercial. “Ou seja, a União Europeia é uma tendência de mercado, outros países compradores olham para ela como fosse uma referência. Então, o Brasil precisa ficar atento para não perder outros mercados também”.

Quanto ao veto, o diretor exceutivo relata que a notícia pegou todos do setor de surpresa, mas acredita que no final, essa decisão será revertida. “Precisamos agir o quanto antes para mostrar e comprovar para eles que a gente já faz uma produção sustentável, e que nós produzimos de forma com a qual eles já exigem. Nos temos constantemente visitas das comissões da União Europeia aqui no Brasil, nos frigoríficos, para entender como é que estão sendo feitos os protocolos para ser encaminhada a carne para lá. E até então eles nunca tinham embargado nada. E agora, após a assinatura do livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a gente é pego de surpresa em relação a isso. Mas acreditamos que será revertido, mas de certa forma devemos ficar atento, pois pode ser algo que vem impactar agora o preço da arroba. Ou seja, o produtor precisa ficar bem atento em relação à venda dos animais”, finalizou.

SETOR PRODUTIVO EM ALERTA

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) afirmou que o Brasil cumpre integralmente as exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos e reforçou que irá atuar junto ao governo para apresentar esclarecimentos técnicos.

Segundo a entidade, o país possui estruturas sanitárias e de controle produtivo consideradas robustas, com protocolos de rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, alinhados a padrões internacionais.

A associação afirmou ainda que o setor privado está comprometido em fornecer todas as informações necessárias às autoridades europeias, em conjunto com o governo brasileiro, para tentar reverter a decisão. “ O Brasil mantém compromisso permanente com a produção sustentável, a segurança alimentar e as melhores práticas internacionais de produção agropecuária”, defendeu em nota.

O governo federal vai enviar, em 15 dias, informações técnicas à União Europeia sobre o estágio de implementação das regras europeias para o uso de antibióticos na pecuária, após o bloco anunciar a retirada do Brasil da lista de países habilitados a exportar carne, afirmou nesta quarta-feira (13) o secretário de comércio e relações internacionais do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), Luis Rua.

Ele diz que o governo enviou informações sobre o tema aos europeus em outubro do ano passado e vinha cobrando uma respostA, sem sucesso. “A resposta parece ter vindo ontem, da forma como veio”, afirmou o secretário durante evento da Abramilho.

Qual seria a solução?

A Nelore-MS (Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul) defende permanentemente a evolução da rastreabilidade do rebanho brasileiro, entendendo que o futuro da pecuária mundial passa cada vez mais por transparência, controle sanitário, tecnologia e segurança alimentar. O produtor rural brasileiro está disposto a avançar e já realiza investimentos importantes nesse processo.

Entretanto, é fundamental destacar que a implantação de sistemas amplos e eficientes de rastreabilidade exige apoio do poder público, integração institucional, segurança jurídica e políticas que permitam ao produtor absorver esses custos sem comprometer sua competitividade. Não é possível transferir toda essa responsabilidade exclusivamente para quem produz.

A Nelore-MS, por meio de seu presidente, Paulo Matos, recebe com preocupação o anúncio da União Europeia sobre possíveis restrições à importação da carne brasileira. O tema deve ser tratado com seriedade, responsabilidade técnica e equilíbrio.

Por Polyana Vera

 

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