Atraso do Ministério da Agricultura leva Europa a ameaçar veto à carne brasileira

Foto: Divulgação Sicadems
Foto: Divulgação Sicadems

Um atraso no envio de documentação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária provocou uma crise nas negociações entre o Brasil e a União Europeia e pode resultar em uma barreira à importação de carne brasileira a partir de setembro deste ano. O impasse envolve o protocolo de controle de medicamentos antimicrobianos utilizados na pecuária brasileira.

Segundo matéria publicada pelo SBT News, o documento deveria ter sido encaminhado aos europeus em outubro do ano passado, dentro das tratativas relacionadas ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia. No entanto, a pasta federal só teria enviado os dados nos últimos dias.

Após receber o protocolo, autoridades europeias solicitaram informações complementares e anunciaram, na última terça-feira (12), a possibilidade de impor restrições à compra de carne brasileira a partir de setembro. O principal argumento apresentado pelos europeus é de que o Brasil “não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária”.

Caso o impasse não seja solucionado, o Brasil pode sofrer perdas superiores a US$ 1 bilhão, valor correspondente às exportações de carne destinadas ao bloco europeu no ano passado. O mercado europeu é considerado estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente para os setores de carne bovina e de proteína animal.

Pessoas que acompanham as negociações afirmam que a crise envolve tanto interesses protecionistas da Europa quanto problemas internos no ministério brasileiro. Segundo relatos, a Secretaria de Defesa Agropecuária aponta dificuldades nas tratativas internacionais, enquanto integrantes da área internacional alegam que houve entraves na homologação do documento.

Representantes do setor agropecuário brasileiro afirmam que os antimicrobianos utilizados pelos produtores não têm a finalidade de acelerar o crescimento dos animais, como alegam os europeus. De acordo com fontes ligadas às negociações, o protocolo em discussão trata justamente da implementação gradual da retirada desses medicamentos, seguindo exigências internacionais.

Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O espaço segue aberto para manifestação da pasta.

 

Com informações do SBT News

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