Chikungunya faz 10ª vítima em Dourados e mata bebê de apenas 48 dias

Imagem ilustrativa - Foto: Divulgação
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A epidemia de chikungunya em Dourados atingiu um novo e alarmante marco nesta sexta-feira (8), com a confirmação da 10ª morte causada pela doença. A vítima mais recente é um bebê indígena de apenas 48 dias de vida, morador da Aldeia Bororó, na Reserva Indígena de Dourados.

Internada desde o dia 3 de maio no HU-UFGD (Hospital Universitário da UFGD), a criança não resistiu às complicações provocadas pelo vírus. Com o novo registro, sobe para nove o número de mortes apenas entre moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru, epicentro da epidemia no município.

Os números revelam a gravidade da crise sanitária. Somente na Reserva Indígena já foram registradas 3.199 notificações da doença, com 2.088 casos confirmados e 2.475 considerados prováveis. Outros 387 seguem sob investigação.

A sequência de mortes expõe o impacto devastador da chikungunya sobre populações vulneráveis. Entre as vítimas estão idosos e três bebês indígenas. O primeiro óbito foi registrado em 25 de fevereiro, envolvendo um indígena de 69 anos. Desde então, a doença avançou rapidamente pelas aldeias.

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), Dourados contabiliza atualmente 35 pacientes internados com chikungunya em diferentes hospitais da cidade. O Hospital Universitário concentra a maior parte das internações, com 19 pacientes.

Em todo o município, os dados já somam 8.149 notificações, sendo 5.350 casos prováveis e 3.340 confirmações da doença. Outros 2.010 casos ainda estão em investigação.

Taxa extremamente elevada
O relatório aponta ainda que a taxa de positividade da chikungunya permanece extremamente elevada nos últimos 15 dias, variando entre 54% e 61%, índice considerado muito acima do aceitável por organismos internacionais de saúde. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), taxas superiores a 5% já indicam transmissão fora de controle.

Além das 10 mortes confirmadas, outras três seguem sob investigação: uma criança indígena de 12 anos, um idoso de 84 anos com doença arterial coronariana e um homem de 50 anos sem registro de doenças crônicas.

O secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, classificou o cenário como “muito grave” e reforçou o alerta à população.

“A situação continua muito grave e as pessoas precisam entender que combater os focos do mosquito Aedes aegypti não é obrigação exclusiva da prefeitura, mas de toda a população”, afirmou.

A prefeitura reforça o apelo para que moradores eliminem recipientes com água parada, mantenham quintais limpos e façam o descarte correto do lixo, medidas consideradas essenciais para conter o avanço do mosquito transmissor da doença.

Por Michelly Perez

 

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