Pré-candidato a deputado estadual afirma que MS precisa rever modelo viário e fortalecer hospitais do interior
Pré-candidato a deputado estadual, o ex-prefeito de Ponta Porã e ex-secretário da Seilog (Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística), Hélio Peluffo (PP), respondeu questionamentos sobre a saída do PSDB após mais de duas décadas, além de abordar propostas ligadas à infraestrutura, saúde regionalizada e potencial turístico da fronteira durante bate-papo no encontro do Café & Política.
Durante o encontro, a reportagem do Jornal O Estado questionou os motivos que levaram o ex-prefeito a trocar o PSDB pelo PP, após mais de duas décadas na sigla, bem como a decisão de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Ao responder, Peluffo afirmou que a mudança partidária ocorreu após conversas com lideranças estaduais e destacou a relação de fidelidade política construída ao longo da trajetória no partido tucano.
“Eu militei em dois partidos: 20 anos no MDB e 22 anos no PSDB. Espero ficar mais 22 anos no PP”, afirmou. Segundo ele, os convites da senadora Tereza Cristina para ingressar no Progressistas aconteciam há anos. “Ela insistia há muito tempo para que eu deixasse o PSDB. E eu sempre respondia: ‘Tereza, eu sou um cara obediente à liderança’. Na política você tem que obedecer seu líder. Não existe política sem liderança.”
Peluffo afirmou que o ex-governador, Reinaldo Azambuja, resistia à possibilidade de sua saída do PSDB, mas que o cenário mudou após a reorganização interna do partido. “O Reinaldo diz que não iria me liberar, pois era como se estivesse perdendo. Agora, com essas mudanças partidárias, o governador Eduardo Riedel me convidou e a Tereza voltou a insistir. Então fui para o PP com a anuência do Reinaldo”, disse.
Sobre a candidatura a deputado estadual, o ex-prefeito afirmou que a ausência de representantes de Ponta Porã na Assembleia Legislativa pesou na decisão. Segundo ele, a região sul do Estado ficou sem representatividade desde a saída de Flávio Kayatt para o Tribunal de Contas do Estado.
“Ponta Porã faz mais de 12 anos que não tem deputado estadual. E eu gosto muito da minha terra, tenho amor pela minha região”, declarou. Peluffo disse que pretende concentrar a atuação política nas cidades da fronteira e do sul do Estado. “Eu entendo que você tem que ficar na tua região. Não adianta abrir espaço em lugar distante que você não vai atender depois. Essas políticas públicas não são minhas. São demandas da população e cabe ao parlamentar defendê-las.”
Durante o encontro, Peluffo também foi questionado sobre projetos de alcance estadual. Ao falar sobre infraestrutura, área em que atuou no Governo do Estado, defendeu mudanças no modelo rodoviário sul-mato-grossense e citou a necessidade de ampliar o uso de pavimento rígido nas estradas estaduais.
“O Mato Grosso do Sul vive um momento fantástico, impulsionado pelo agro e pela celulose. Mas nós vamos precisar rediscutir todo o nosso projeto rodoviário”, afirmou.
Segundo ele, o pavimento rígido oferece mais segurança e maior durabilidade para rodovias de grande fluxo de cargas. “A rodovia de pavimento rígido tem melhor luminosidade, não cria degrau no acostamento e dura mais. As nossas rodovias estaduais praticamente não têm acostamento”, pontuou.
O ex-secretário também criticou a falta de fiscalização do excesso de peso transportado nas estradas estaduais. “Nós não temos balança nas rodovias. A carga sai acima do permitido e isso destrói o pavimento”, afirmou.
Regionalização
Outro tema abordado foi a regionalização da saúde pública. Peluffo defendeu o fortalecimento dos hospitais do interior para reduzir a sobrecarga sobre Campo Grande e melhorar o atendimento regional.
“Você precisa ampliar o hospital de Ponta Porã, estruturar o hospital de Coxim e fortalecer as unidades regionais. O Estado precisa discutir isso junto da bancada federal”, disse.
Na área do saneamento básico, ele utilizou a experiência administrativa em Ponta Porã como exemplo para defender investimentos em esgotamento sanitário nos municípios. “Eu vi minha cidade sair de 20% para 92% de esgoto tratado. No começo as pessoas criticavam porque não queriam acabar com a fossa. Hoje brigam para ter ligação porque entenderam a importância disso.”
Peluffo também relembrou a trajetória política marcada por derrotas antes de chegar à prefeitura de Ponta Porã. Ele contou que perdeu três eleições para o Executivo municipal e afirmou que manteve a persistência mesmo nos períodos de maior desgaste político.
“Nunca desisti, nunca murmurei e nunca culpei ninguém pelas derrotas”, declarou. Segundo ele, após a terceira derrota, decidiu se mudar para Maracaju e deixar a vida pública. “Eu falei para a Vânia: ‘Vou embora, política não é mais para mim’.”
No entanto, Peluffo afirmou que o cenário começou a mudar após um período afastado de Ponta Porã. Segundo ele, a insistência de aliados políticos e do então governador Reinaldo Azambuja foi determinante para que reconsiderasse a volta à disputa eleitoral.
“O Reinaldo insistia muito. Falava que eu voltaria”, contou. A decisão, segundo ele, ganhou força após uma pesquisa no município. “Quando veio o resultado, minha rejeição tinha caído de 33% para 7%. O tempo é senhor de tudo”, afirmou.
Após retornar à disputa política, Peluffo conseguiu chegar à prefeitura de Ponta Porã e consolidou sua trajetória administrativa.
O pré-candidato também falou sobre o potencial histórico e turístico da região de fronteira. Ele defendeu investimentos voltados ao turismo ligado à Guerra do Paraguai e afirmou que cidades como Ponta Porã, Bela Vista e Porto Murtinho possuem riquezas históricas pouco exploradas.
Por Danielly Carvalho