Milho safrinha é totalmente semeado em MS enquanto soja confirma alta produtividade

Foto: Divulgação
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Com 2,2 milhões de hectares de milho já plantados, foco agora é o clima e o desenvolvimento das lavouras

O plantio do milho referente à segunda safra 2025/2026 em Mato Grosso do Sul foi totalmente finalizado, conforme dados do Projeto SIGA-MS, conduzido pela Aprosoja/MS com apoio do Fundems/Semadesc. Para este ciclo, a área destinada ao cultivo do cereal está estimada em cerca de 2,206 milhões de hectares, mantendo o estado entre os principais produtores nacionais.

De acordo com o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, a conclusão da semeadura representa apenas o início de uma nova fase no campo. A partir de agora, as atenções se voltam para o desenvolvimento das lavouras, especialmente diante das condições climáticas nas próximas semanas, que terão papel decisivo no desempenho produtivo. Fatores como distribuição de chuvas, ocorrência de veranicos e variações de temperatura podem impactar diretamente o enchimento de grãos e a produtividade final.

No momento, a maior parte das áreas apresenta bom desempenho: 72,7% das lavouras são classificadas como boas, enquanto 16,9% estão em condição regular e 10,4% considerada ruim. Além do clima, técnicos seguem monitorando a presença de pragas, como a cigarrinha-do-milho, e doenças que podem comprometer o potencial produtivo, sobretudo em regiões mais suscetíveis.

As projeções iniciais indicam produtividade média de 84,2 sacas por hectare, com uma produção total estimada em aproximadamente 11,139 milhões de toneladas. Esses números ainda podem sofrer ajustes conforme o avanço do ciclo e as condições efetivas no campo.

Paralelamente, a colheita da soja safra 2025/2026 está praticamente concluída no estado, atingindo 99,8% da área cultivada. A região central já finalizou os trabalhos, enquanto as regiões sul e norte apresentam índices próximos da conclusão, com 99,8% e 99,6%, respectivamente. Ao todo, cerca de 4,7 milhões de hectares já foram colhidos.

Com o avanço das análises de produtividade, a Aprosoja/MS revisou para cima a média estadual, que agora está estimada em 61,73 sacas por hectare — um crescimento de 19,2% em relação à safra anterior. Esse resultado reflete, em grande parte, condições climáticas mais favoráveis ao longo do ciclo e o uso crescente de tecnologias no manejo das lavouras.

Apesar de algumas perdas pontuais registradas em determinadas áreas, os dados de campo indicam uma safra de soja consistente na maior parte do estado. A expectativa final é de uma produção de aproximadamente 17,759 milhões de toneladas, reforçando a relevância de Mato Grosso do Sul no cenário agrícola brasileiro.

Papel estratégico
O milho é essencial para a fabricação de rações, sustentando a produção de carnes como suína e de frango. Além disso, seu uso na produção de biocombustíveis tem crescido, agregando valor à cadeia produtiva. Atualmente, segundo dados do governo de Mato Grosso do Sul, o Estado ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de etanol de milho. Para a safra 2025/2026, a produção está estimada em 2,07 bilhões de litros.

Os números mais recentes reforçam esse avanço. Em 2025, cerca de 4,6 milhões de toneladas de milho foram processadas, resultando em 1,4 milhão de toneladas de DDG, um coproduto utilizado na nutrição animal.

No mercado externo, o cereal sul-mato-grossense também tem relevância. Em 2025, o Estado exportou aproximadamente 2 milhões de toneladas de milho. Entre os principais destinos estão países como Irã, Vietnã, Bangladesh, Arábia Saudita, Egito, Iraque, Filipinas e Indonésia.

Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o milho tem papel estratégico no Estado. “O milho deixou de ser apenas uma cultura complementar e passou a ocupar posição estratégica. Esse avanço mostra a força do produtor sul-mato-grossense e a capacidade do setor em agregar valor e gerar desenvolvimento”.

Pressão nos custos
O produtor rural de Mato Grosso do Sul segue enfrentando um cenário de forte pressão nos custos de produção. De acordo com boletim econômico publicado pela Aprosoja/MS, os preços dos principais fertilizantes utilizados no campo continuam elevados em 2026, impactando a rentabilidade do produtor e acendendo o alerta para o planejamento da próxima safra.

De janeiro a março deste ano, Mato Grosso do Sul importou mais de 23 mil toneladas de fertilizantes, uma retração de 23,28% em comparação ao mesmo período do ano passado. Apesar da queda no volume total, houve alteração no perfil dos produtos adquiridos, com destaque para o avanço nas importações de potássicos, que passaram de 220 toneladas para 7,22 mil toneladas no comparativo anual.

Por Ian Netto

 

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