Com mais de 500 mil seguidores, veterinária promovia “combo” capilar com produtos para cavalos e teve o registro suspenso
A médica-veterinária Raylane Diba Ferrari, de 30 anos, que foi presa e pagou fiança de mais de R$ 4 mil, para responder ao processo em liberdade, teve o registro suspenso e não pode exercer a profissão por decisão da Justiça.
Com mais de 500 mil seguidores no Instagram, a veterinária usa a plataforma para indicar, em seu comércio, o pet shop Agro Nutri Consultório Veterinário e Petshop, no bairro Núcleo Habitacional Universitárias —, a venda de shampoo de cavalo e suplemento de uso veterinário.

Imagem Divulgação
Em uma publicação fixada, feita há cinco semanas, a “influencer” compartilhou um podcast em que uma mulher relata problemas de queda de cabelo que só cessaram quando ela começou a utilizar uma vitamina indicada para equinos.
No vídeo, ela explica a ação do produto, indica o “combo”, promete crescimento capilar e convida os seguidores a responder “eu quero” para receber mais informações por mensagem privada.
Na publicação, uma usuária afirmou que fez uso do produto e teve que interromper devido a “bolas doloridas no couro cabeludo”.
O “kit cresce cabelo”, em outra publicação, é oferecido com desconto de R$ 50, com a promessa, inclusive, de “crescimento da barba”, e teve mais de 400 curtidas entre os usuários.
Fiscalização
O jornal O Estado de Mato Grosso do Sul teve acesso ao boletim de ocorrência, no qual consta que a fiscalização ocorreu em ação conjunta do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), do CRMV (Conselho Regional de Medicina Veterinária), do Procon Estadual e da Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo).
No estabelecimento, foi verificada a comercialização do shampoo Good Horse com suplemento de uso veterinário para animais. Os fiscais flagraram, inclusive, um funcionário manipulando uma fração do suplemento no shampoo e lacrando o frasco na sequência.
Posteriormente, consta na ocorrência que o produto seria revendido nas redes sociais, por meio de plataformas como o Marketplace do Facebook. Estavam presentes no pet shop, durante a fiscalização, uma familiar da veterinária, que também trabalha no local, e um funcionário.
Raylane chegou ao local e permaneceu em silêncio, exercendo o direito constitucional de se manifestar apenas na presença do advogado ou em juízo.
O estabelecimento comercial foi fiscalizado. Em contato, o delegado Wilton Vilas Boas de Paula, da Decon, informou à reportagem que o pet shop está com a documentação regular e pode funcionar normalmente.
O CRMV-MS acompanhou oa fiscalização, que foi motivada por denúncia.
Conselho
Por meio das redes sociais, o Conselho Regional de Medicina Veterinária informou que a ação ocorreu após o recebimento de denúncia.
“A ação de hoje demonstra a prioridade do CRMV-MS na fiscalização do exercício profissional. Adulterar insumos veterinários rompe a segurança técnica e jurídica exigida por lei. O conhecimento das normas de manipulação é dever inerente à profissão; por isso, asseguramos que o médico-veterinário atue com ética, sendo o verdadeiro guardião da saúde pública, respeitando estritamente a legislação vigente”, destaca o presidente do CRMV-MS, Thiago Leite Fraga.
O conselho ressaltou, por meio da médica-veterinária fiscal Lais Fiorese, que, embora o estabelecimento possua autorização para vender o produto, a criação e comercialização de misturas são proibidas.
“Assim como a publicidade voltada ao público humano. Devido à gravidade das infrações, a profissional poderá responder a processo ético, estando sujeita a penalidades que podem chegar à cassação do registro profissional”, informou Lais.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com o advogado de defesa de Raylane Diba Ferrari. Até o fechamento do material, não houve retorno. A matéria será atualizada assim que houver posicionamento.
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