A colheita da soja da safra 2025/2026 em Mato Grosso do Sul já atinge 98,1% da área. O avanço é o equivalente a cerca de 4,7 milhões de hectares, do campo monitorado pelo Projeto SIGA-MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc. A estimativa é que a safra da oleaginosa deve ser concluída em até 10 dias no Estado.
Entre as regiões do Estado, o sul lidera o avanço dos trabalhos, com 99,8% da área colhida. Em seguida aparecem as regiões centro, com 97,0%, e norte, com 93,0%.
Apesar das adversidades climáticas registradas no início do ano, especialmente a estiagem e as altas temperaturas entre janeiro e fevereiro, os resultados de campo indicam um desempenho melhor do que o inicialmente previsto. Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, a safra apresenta recuperação significativa.
“Estamos entrando na reta final da colheita da soja em Mato Grosso do Sul, com praticamente toda a área consolidada. Mesmo com os problemas climáticos, os levantamentos mostram uma recuperação acima do esperado, o que permitiu revisar positivamente a produtividade”, afirma.
Com base em 713 levantamentos realizados em campo — que representam 19,5% da área cultivada — a entidade revisou para cima as estimativas. A produtividade média estadual passou de 52,82 para 61,73 sacas por hectare.
Com isso, a produção total está agora estimada em 17,759 milhões de toneladas, volume 26,3% superior ao registrado na safra anterior.
A área plantada também cresceu nesta temporada, alcançando 4,794 milhões de hectares, avanço de 5,9% em relação ao ciclo 2024/2025.
Milho: fase de desenvolvimento
Com o avanço da retirada da soja, os produtores praticamente concluíram a semeadura do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul. Até 24 de abril, o plantio alcançou 99,8% da área acompanhada pelo SIGA-MS, o equivalente a cerca de 2,2 milhões de hectares implantados.
A região sul já finalizou os trabalhos de plantio, enquanto a região centro registra 99,9% e a região norte 98,3%.
O percentual está apenas 0,2 ponto percentual abaixo do observado no mesmo período da safra passada, demonstrando aceleração dos trabalhos nas últimas semanas, após um início mais lento provocado pelo atraso na colheita da soja.
“O produtor conseguiu avançar de forma muito consistente com o plantio do milho segunda safra. Ainda que a semeadura tenha começado em ritmo mais lento por conta do atraso na retirada da soja, hoje nós temos quase a totalidade da área implantada, o que demonstra a capacidade de reação do campo”, avalia Flavio.
A estimativa preliminar aponta área total de 2,206 milhões de hectares cultivados com milho segunda safra, produtividade média esperada de 84,2 sacas por hectare e produção de 11,139 milhões de toneladas.
Clima e mercado entram no radar do produtor
Com a soja praticamente consolidada e o milho implantado, o monitoramento passa a se concentrar sobre as condições climáticas das próximas semanas e o comportamento do mercado.
No cenário econômico, a saca de 60 quilos da soja foi cotada, em média, a R$ 110,38 em Mato Grosso do Sul, registrando valorização de 1,09% no comparativo semanal. Já a saca do milho foi negociada em torno de R$ 51.
Apesar da leve recuperação da oleaginosa, a comercialização da safra segue em ritmo mais lento. Até 27 de abril, cerca de 46% da produção estadual havia sido negociada, índice inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
“Agora o foco se volta totalmente para o desenvolvimento dessas lavouras de milho. A manutenção de chuvas regulares nas próximas semanas será decisiva para sustentar o potencial produtivo, principalmente nas áreas implantadas mais fora da janela ideal. Além disso, o produtor segue atento ao comportamento do mercado, porque apesar de uma leve recuperação na soja, os preços ainda exigem cautela na comercialização e no planejamento financeiro da propriedade”, finaliza.
Suzi Jarde