Repelentes e analgésicos estão entre os itens com maior saída nas drogarias de Dourados

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Apesar da alta procura pelos medicamentos, farmácias conseguem manter estoques

Com um caso provável para cada 96 habitantes, os registros de chikungunya em 2026 no município de Dourados já superaram todos os números do ano passado no mesmo período. A alta incidência da arbovirose faz com que moradores da cidade busquem as farmácias da região tanto para prevenção como para cuidados. Apesar da procura ter aumentado drasticamente, as drogarias que a equipe do jornal O Estado visitou em Dourados continuam sem grandes problemas na renovação dos estoques.

Em conversas com farmacêuticos, a resposta sobre o item mais vendido nos últimos meses é apenas uma: repelente. Seja para adultos, crianças, em spray, aerosol, gel, pequeno, médio ou grande. Medicamentos tradicionais para dor, como paracetamol, também entraram na lista dos mais comercializados desde o início do surto, já que um dos sintomas da chikungunya é a dor intensa. Soro também aparece entre os itens mais pesquisados, tendo em vista que outros sintomas como febre alta e a resposta inflamatória do organismo podem causar desidratação.

Uma das profissionais e gerente de uma farmácia de Dourados, Franciele Romero, conta que quase chegou a ficar sem produtos em uma semana de pico, mas que a situação foi resolvida e ela não presenciou nenhuma escassez. “No começo deste mês até agora a procura foi bem alta, de repelente, de soro. A gente chegou quase a ficar em falta. Foi bem difícil comprar também, já que os fornecedores também estavam em falta”, explica.

Além disso, ela comenta que tem recebido muitos pacientes diagnosticados com chikungunya e com receitas de medicamentos mais fortes para dor, a principal queixa entre os afetados. “Quando você tem suspeita de dengue ou chikungunya, não pode tomar inflamatório. Então, primeiramente os clientes vêm com medo, né? Porque eles começam a sentir dor, têm medo de tomar um anti-inflamatório, e dar alguma reação, ou piorar o caso”.

Outra farmacêutica que não quis se identificar, afirma que trabalha no ramo há 12 anos e nunca presenciou uma epidemia de arboviroses tão intensa como esta. A farmácia em que ela trabalha fica em um local estratégico do município: entre o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados), que tem atendido os pacientes com a doença, e uma área rural onde residem alguns indígenas. “Nós recebemos pessoas dos dois lados. Não chegou a faltar nenhum medicamento, mas a procura é grande, bem grande”.

Busca por testagem

Danielle Fernanda de Moura, também farmacêutica, é gerente de uma drogaria que, para auxiliar na identificação dos casos, realiza testes rápidos de chikungunya. “Já tem, na verdade, acho que um mês que a gente vem realizando muitos testes, inclusive já chegou até a faltar. Por dia a gente chega a fazer cerca de 20 testes, sendo entre dez e 15 positivos. Eles chegam aqui sentindo muita dor no corpo, tem gente que chega com dificuldade para andar, febre, mal-estar”, conta.

Ela explica que o exame é feito através de uma coleta de sangue do paciente e que o resultado sai em cerca de 15 minutos. Embora o teste seja um alívio para muita gente, ele precisa ser confirmado por um laboratório especializado e toda prescrição de medicações mais fortes devem ser feitas de maneira adequada.

Até o momento, Dourados possui 88 casos confirmados, o que representa uma incidência baixa diante da população total, o que não exclui a calamidade em que o município se encontra, já que situações em investigações representam uma frequência muito maior. Os mais afetados são pessoas entre dez e 19 anos, sobretudo meninas e mulheres. Oito óbitos já foram confirmados.

Por Maria Gabriela Arcanjo

 

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