Iniciativa da Agepen busca ampliar oportunidades de trabalho e ressocialização dentro do sistema prisional
A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) inaugurou, na última semana, o projeto “Salão de Beleza Expressão da Liberdade” no Instituto Penal de Campo Grande, em Campo Grande. A iniciativa é voltada principalmente à população LGBTQIAPN+ custodiada na unidade e tem como foco a qualificação profissional na área da beleza.
O espaço oferece serviços como corte de cabelo, barbearia, unhas em gel e maquiagem, com a proposta de ampliar as possibilidades de geração de renda após o cumprimento da pena, além de promover inclusão e enfrentamento ao preconceito.
O salão foi estruturado com equipamentos doados pelo Instituto Ação pela Paz e apoio da Subsecretaria de Políticas Públicas LGBTQIA+. A formação profissional será realizada em parceria com instituições do Sistema S.
Durante a solenidade, também houve a ampliação do projeto “Som da Liberdade”, que utiliza a música como ferramenta terapêutica. Com novos instrumentos, a iniciativa passou a atender mais internos.
Para o diretor do IPCG, Leoney Martins Barbosa, a proposta segue uma linha de humanização do sistema. “É um compromisso da gestão e de toda a equipe viabilizar projetos que tragam transformações reais na vida dos custodiados”, afirmou.
O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, destacou o papel das ações na mudança de trajetória dos internos. “O futuro não é decidido pelo passado. Nosso papel é garantir condições para que cada pessoa tenha a oportunidade de reconstruir sua história”, disse.
A diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, ressaltou o impacto das iniciativas. “São projetos que despertam sonhos e mostram que novos caminhos são possíveis, além de contribuírem para a redução da reincidência criminal”, pontuou.
Representando os participantes, a custodiada C. F. S. chamou atenção para as dificuldades enfrentadas fora do sistema prisional. “Muitas vezes, as oportunidades nos são negadas simplesmente por quem somos. Esse projeto traz dignidade no presente e esperança para o futuro”, declarou.
A subsecretária estadual de Políticas Públicas LGBTQIA+, Mikaella Lima Lopes, reforçou a importância de ampliar o acesso a políticas públicas. “Se essas portas tivessem sido abertas antes, talvez muitas dessas pessoas não estivessem aqui hoje. Por isso, é essencial investir em políticas públicas dentro e fora do sistema prisional”, disse.
Já o juiz da 1ª Vara de Execução Penal, Luiz Felipe Medeiros Vieira, destacou a responsabilidade do Estado. “Não é só obrigação da pessoa privada de liberdade sair melhor. É dever do Estado garantir meios para que isso aconteça”, afirmou.
Um dos internos participantes do projeto musical também relatou o impacto da iniciativa. “Projetos como esse ajudam a construir uma ponte para o retorno à sociedade. A qualificação e a expressão artística ampliam horizontes e resgatam a esperança de um recomeço”, disse.
*Com informações da Agência de Notícias de MS
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