A busca por curtidas e a exposição a padrões irreais nas redes sociais têm impactado diretamente a saúde mental de crianças e adolescentes. Segundo especialistas, a necessidade de aprovação transforma postagens em fonte de ansiedade, frustração e baixa autoestima, em um cenário marcado pelo uso excessivo de filtros e pela pressão pela “foto perfeita”.
Para o especialista em saúde mental, o psiquiatra Dr. Eduardo Araújo, esse comportamento revela um ciclo preocupante, já que crianças e adolescentes estão em uma fase de desenvolvimento em que a busca por pertencimento e validação é natural.
“No ambiente digital, isso é potencializado. Um simples post pode gerar comparação, expectativa e impacto direto na autoestima, tanto para quem publica quanto para quem consome esse conteúdo”, explica.
Segundo Eduardo, o problema não está apenas no ato de postar, mas no que vem depois. A expectativa por engajamento transforma cada publicação em uma espécie de termômetro de aceitação social.
Outro fator crítico, de acordo com o especialista, é a comparação constante. Crianças e adolescentes passam a querer se igualar a influenciadores digitais, reproduzindo padrões estéticos irreais e a ideia de “vida perfeita” referências difíceis, muitas vezes impossíveis, de alcançar. O resultado é uma geração que cresce se sentindo insuficiente.
Diante desse cenário, dados reforçam o alerta sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. Um relatório da organização internacional KidsRight aponta que uma em cada sete jovens entre 10 e 19 anos enfrenta algum tipo de problema de saúde mental. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima uma taxa global de 6 suicídios a cada 100 mil adolescentes entre 15 e 19 anos.
Esse contexto é agravado pelo acesso cada vez mais precoce às redes sociais muitas vezes sem supervisão e pela lógica dos algoritmos, que reforçam conteúdos e ampliam a exposição a temas sensíveis.
“O uso das redes sociais não é neutro. Ele influencia emoções, decisões e a forma como o jovem se enxerga. Quando não há limites ou acompanhamento, os riscos aumentam significativamente”, alerta Araújo.
O médico ressalta que os efeitos aparecem no dia a dia, ainda que de forma silenciosa, como aumento da ansiedade e da insegurança, baixa autoestima, necessidade constante de validação, dificuldade de concentração, irritabilidade, isolamento social, conflitos familiares e queda no desempenho escolar.
Muitas vezes, esses sinais surgem de forma gradual, o que dificulta a identificação imediata. Por isso, o olhar atento dos pais é fundamental. Apesar dos riscos, o caminho não é proibir, mas orientar.
“O diálogo aberto, o estabelecimento de limites e o acompanhamento do que os filhos consomem são essenciais. Mais do que controlar, é preciso ensinar o uso consciente da tecnologia”, conclui o psiquiatra.
Por Michelly Perez