Preço do cimento sobe mais de 20% em um mês e setor vê pior cenário em anos

Foto: Djeneffer Cordoba
Foto: Djeneffer Cordoba

Reajuste já impactam depósitos de Campo Grande e reduzem ritmo de compras

O preço do cimento acumulou alta superior a 20% em cerca de 15 dias, segundo comerciantes do setor de materiais de construção, e já pressiona o custo de obras residenciais e pequenas reformas na em Campo Grande.

Em depósitos visitados pela reportagem, o saco do produto passou de valores médios próximos a R$ 34 no início do ano para a faixa de R$ 39 a R$ 42 atualmente, após sucessivas rodadas de reajustes em março e abril.

“Teve um aumento dia 23 e outro dia 1º. Em duas semanas foram dois reajustes. Isso pesa muito porque a margem é mínima”, afirma o proprietário do Depósito Guaicurus, Eliseu Gomes.
Segundo ele, o avanço de custos ocorre de forma escalonada e com impacto direto na revenda. “A gente paga quase R$ 40 e vende por R$ 41. Não tem margem. O correto seria vender por R$ 45, R$ 46, mas o mercado não aceita”, disse.

No Depósito Almeida, o cenário é semelhante. O proprietário Leandro Barreto relata reajustes consecutivos em intervalo inferior a um mês e já fala em impacto direto no volume de vendas.

“Teve três aumentos em menos de um mês. A gente estava comprando a R$ 38, vendendo a R$ 40, e agora já está tudo no limite”, afirmou.
Segundo ele, a reação do mercado foi imediata. “Parou tudo. A gente percebe que quem comprava 600 sacos passou a comprar 300. Quem comprava 300 compra 100. O mercado desacelerou muito”.

Diesel no centro das explicações

Entre os comerciantes, há consenso de que o aumento do cimento está diretamente relacionado ao custo de transporte, especialmente o diesel.

“O principal fator é o frete. O diesel subiu e isso impacta tudo. Qualquer mercadoria vem com esse custo embutido”, explica Eliseu Gomes.

A mesma avaliação é compartilhada por outros empresários do setor, que afirmam que os reajustes são repassados pelas distribuidoras de forma recorrente e pouco transparente.
Em alguns casos, mensagens enviadas a revendedores confirmam novos reajustes em sequência, com justificativa de aumento de custos de produção, combustíveis e logística.

Mercado operando no limite

Além do aumento de preços, o setor relata compressão das margens e dificuldade de absorver custos adicionais. “Hoje não dá para segurar aumento. Se não repassar, você paga para trabalhar”, resume um dos empresários.

Há também redução na atividade operacional. Parte dos depósitos afirma ter diminuído compras de estoque e até reestruturado o modelo de negócio para reduzir custos fixos.

“Estamos comprando menos porque não sabemos se amanhã vai subir mais ou cair. E muitos estão saindo do modelo de depósito completo”, relata um comerciante.

Apesar da alta, o consumo não é uniforme. Segundo os entrevistados, obras de maior porte continuam em andamento, enquanto pequenas reformas são mais afetadas.

“Obra grande não para, mas o pequeno sente muito. Quem ganha salário e faz reforma em casa sofre mais com esse aumento”, diz Eliseu.

O setor também aponta sazonalidade apenas em períodos de chuva, quando há redução pontual na demanda.

Outros insumos também sobem

O movimento de alta não se restringe ao cimento. Insumos como argamassa, PVC, telhas e materiais derivados de petróleo também registram reajustes recentes.

Comunicados de fornecedores apontam aumentos entre 6% e 12% em diferentes linhas de produtos, sob justificativa de elevação de custos de produção e instabilidade no cenário internacional.

Segundo a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), o setor enfrenta nova rodada de reajustes em insumos estratégicos a partir de abril.

Entre empresários do ramo, não há expectativa de recuo imediato nos preços. “Não vai baixar mais. O máximo que pode acontecer é estabilizar nesse nível, dependendo do mercado”, avalia um dos comerciantes ouvidos.

Por Djeneffer Cordoba

 

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