Casos recentes em Campo Grande expõem falhas na prevenção e reforçam debate sobre políticas públicas
Diante do aumento dos casos de violência doméstica e feminicídio, deputados estaduais têm reforçado a necessidade de ampliar ações de prevenção e fortalecer a rede de proteção às mulheres em Mato Grosso do Sul.
O deputado estadual Coronel David (PL) afirmou que, apesar de avanços nos protocolos de atendimento, os números seguem preocupantes. “Os números que estão acontecendo de feminicídio mostram que está faltando alguma coisa”, declarou. Segundo ele, a natureza desses crimes dificulta a atuação preventiva das forças de segurança. “É muito difícil a gente prevenir um tipo de crime que acontece entre paredes”, disse.
O parlamentar também defendeu a educação como ferramenta essencial no enfrentamento à violência. “A conscientização desde a infância é primordial, para que se entenda que ninguém é dono de ninguém”, afirmou.
Já a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) classificou o cenário como alarmante e cobrou o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao acolhimento das vítimas. “O que a gente está vivendo é um cenário de horror, uma escalada de violência”, afirmou.
Para ela, além da ampliação da rede de proteção, é necessário garantir um atendimento mais humanizado. “Quando essa mulher chegar na delegacia, ela não ser questionada, mas sim abraçada”, disse. A deputada também apontou a influência do machismo estrutural e defendeu ações educativas. “Existe uma cultura enraigada que precisa ser enfrentada. Quando uma mulher diz não, é não”, destacou.
As declarações ocorrem em meio a novos casos registrados em Campo Grande, que evidenciam a gravidade do problema. Na noite de segunda-feira (13), uma jovem de 25 anos foi atacada a facadas pelo ex-companheiro, de 26, na rua Calarge,na Vila Glória.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima havia saído do trabalho por volta das 22h10 quando foi surpreendida. Ao imaginar se tratar de um assalto, chegou a entregar o celular, mas o agressor ignorou o objeto e iniciou o ataque com golpes de faca, além de agressões físicas. Mesmo ferida, conseguiu gritar por socorro, o que mobilizou moradores e fez o autor fugir.
O suspeito foi localizado pela polícia, com vestígios de sangue, e confessou o crime. Ele afirmou que não aceitava o fim do relacionamento e suspeitava de traição. A vítima relatou histórico de agressões físicas e psicológicas, mas disse nunca ter denunciado por medo.
Horas antes, outro caso grave foi registrado no Jardim Colúmbia. Um subtenente aposentado da Polícia Militar, de 56 anos, atirou contra a esposa, de 47, dentro da residência do casal. A mulher foi atingida por dois disparos, no quadril e na coxa, mas conseguiu fugir ao pular o muro e pedir ajuda.
Após o crime, o autor tentou tirar a própria vida, entrou em parada cardiorrespiratória, foi reanimado e encaminhado em estado gravíssimo à Santa Casa, onde permanece em coma induzido e sob escolta policial.
Por Danielly Carvalho