ABMCJ-MS apresenta novo nome à presidência da associação

(Foto: Henrique Arakaki)
(Foto: Henrique Arakaki)

Cristina Herradon afirma que gestão será marcada pela luta por mulheres em cargos de decisão

Nesta terça-feira (14), tomou posse do cargo de presidente da ABMCJ-MS (Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica de Mato Grosso do Sul) a advogada Luzia Cristina Herradon Pamplona. A solenidade foi realizada no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, e contou com a presença de políticos, desembargadores, juízes, delegados, defensores públicos, advogados e outros profissionais da área do direito.

(Foto: Henrique Arakaki)

A ABMCJ-MS é uma organização nacional não governamental sem fins lucrativos que visa propor ações para a defesa do empoderamento das mulheres na carreira jurídica, luta pela igualdade de gênero e contribui para o estudo crítico do direito. Fundada em 1985 em Belo Horizonte (MG), a associação busca unir magistradas, promotoras, defensoras públicas, advogadas, delegadas e demais mulheres que atuam em diversas áreas da carreira jurídica para construção coletiva de soluções voltadas à equidade de gênero e se apresenta como um espaço de acolhimento e troca de experiências.

À frente da nova diretoria, a presidente afirmou em entrevista concedida ao jornal O Estado no evento de posse, que a união das mulheres será o seu principal foco durante o triênio em que liderará as atividades, de 2026 a 2029. Junto a isso, ela afirma que trabalhará para que a ABMCJ-MS tenha uma atuação mais marcante no interior do Estado. “Nós temos associadas em Dourados, em Jardim, mas essa presença ainda é um pouco tímida”, afirma.

Associada da ABMCJ-MS há 15 anos, Cristina destaca que o cargo é mais do que uma posse; é assumir uma missão. A advogada também atuou como vice-presidente entre os anos de 2024 a 2026. “Eu sou muito grata ao que a associação fez na minha vida e ao que ela faz na vida das mulheres sul-mato-grossenses e brasileiras. Esses três anos como vice me fizeram conhecer mais profundamente todas as situações da ABMCJ e me capacitaram para este momento”. Neste novo ciclo, a gestão será guiada por três pilares: união, voz e ação.

A ex-presidente, Dirce Maria Gonçalves Nascimento, esclarece que sai do cargo com a sensação de missão cumprida e espera que seja lembrada pela inclusão, que foi foco da sua liderança. “Embora eu não tenha conseguido alcançar todas as nossas metas, tenho certeza de que a minha sucessora conseguirá chegar lá. É uma continuidade de projetos.”

Dirce dividiu a presidência com Cristina e afirma que as expectativas para a nova gestão estão altas. “Cristina foi minha vice por três anos, eu acho que ela vai fazer uma boa gestão, ela é competente, está preparada para isso e escolheu uma equipe muito boa. Não bate a tristeza por sair; estou realizada e creio que temos que passar para as outras mulheres, principalmente as mais jovens, para que elas possam dar continuidade”.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) esteve presente na solenidade e também conversou com a reportagem. “Essa associação é muito importante e influente. Várias entidades, por meio de suas mulheres militantes, participam da ABMCJ-MS. O papel dela é fazer com que se concretize o Estado Democrático de Direito e, sobretudo, na defesa das mulheres”.

Luiza ainda explica sobre a importância de um órgão como este para Mato Grosso do Sul. “Por exemplo, a decisão que se formou no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de que toda decisão tivesse perspectiva de gênero partiu dessa associação, entre muitas outras questões. Isso me faz estar aqui hoje e aplaudir a Cristina, que se formou jovem e foi ser advogada dos direitos sociais e humanos”, completa.

Tatiana Azambuja Ujacow é associada à ABMCJ-MS há cerca de 15 anos. Ela compartilha as experiências internacionais que já vivenciou dentro da comunidade e o quanto esses diálogos com outros países são poderosos. Professora de direito na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), ela fala que vê a influência da associação até mesmo em sala de aula.

Mas, para ela, o mais importante é levar informação a quem mais precisa. “A gente sabe que, para as mulheres saberem quais são seus direitos básicos como cidadãs, muitas vezes elas precisam de esclarecimento. O acesso à justiça é muito difícil para quem não tem o conhecimento jurídico. E nós levamos isso às outras mulheres”.

Tatiana ainda afirma que, mesmo entre o meio do direito, as mulheres ainda não vivenciam um processo de equidade plena. “Muitas colegas de profissão passam por situações de violência, por exemplo. Vemos tantos casos. Isso independe da situação econômica. As mulheres sofrem caladas, e essa irmandade é importante por isso. Uma voz sozinha não faz nada, mas juntas a gente consegue transformar um pouco dessa realidade”, finaliza.

Por Maria Gabriela Arcanjo

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