Chikungunya avança no interior de MS e expõe drama de famílias em meio a casos graves e mortes

Foto: Divulgação
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Jardim registra alta incidência da doença, enquanto Dourados intensifica ações na fase crônica e reforça a rede de atendimento

 

O avanço da chikungunya no interior de Mato Grosso do Sul tem acendido um alerta vermelho nas autoridades de saúde e, principalmente, nas famílias que enfrentam na pele as consequências da doença. No município de Jardim, o cenário é preocupante, com aumento expressivo de casos, internações inclusive de crianças e a confirmação de uma morte, além de outro óbito em investigação.

Em pronunciamento realizado no dia 1º de abril, o secretário municipal de Saúde, Jorge Cafure Júnior, já alertou sobre a gravidade da situação e fez um apelo direto à população: a maioria dos focos do mosquito transmissor está dentro das residências.

Segundo ele, a resistência de moradores em permitir a entrada de agentes de saúde tem dificultado o controle da doença.

A coordenadoria de Epidemiologia reforça que a chikungunya não pode ser tratada com normalidade. As complicações podem evoluir rapidamente, exigindo atenção e medidas preventivas simples, como eliminar água parada e manter os quintais limpos especialmente em períodos de feriado, quando há maior permanência das famílias em casa.

Enquanto Jardim atua no combate direto aos focos do mosquito, o município de Dourados, segunda maior cidade do Estado, vive outro momento da doença. Com a redução de novos casos em algumas regiões, o foco agora está na fase crônica da chikungunya, que pode causar dores intensas e limitações prolongadas nos pacientes.

As equipes de saúde têm direcionado esforços para o acompanhamento contínuo desses casos, com ênfase no controle da dor e na reabilitação por meio da fisioterapia, evitando agravamentos e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A Vigilância em Saúde também intensificou a capacitação dos profissionais e a organização dos atendimentos, buscando diagnósticos mais ágeis e tratamentos mais eficazes.

A atuação integrada entre os governos federal, estadual e municipal, com apoio da Força Nacional do SUS, tem sido fundamental no enfrentamento da crise, considerada inédita pela alta taxa de positividade do vírus.

O reforço das ações está concentrado em Dourados, ampliando a capacidade de resposta da rede pública de saúde.

A expectativa das autoridades é que, além de enfrentar o momento crítico, o Estado saia dessa situação com um sistema de saúde mais estruturado e preparado para lidar com futuras epidemias. Enquanto isso, o combate ao mosquito segue sendo a principal estratégia e depende, mais do que nunca, do engajamento da população.

Mato Grosso do Sul já registrou 4.281 casos prováveis de chikungunya, sendo 2.102 confirmados no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), em 2026. Estes dados foram apresentados no boletim referente à 13ª semana epidemiológica, divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) na sexta-feira (10).

Conforme o documento, 10 óbitos pela doença foram confirmados nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim e Fátima do Sul. Entre as vítimas, cinco possuíam algum tipo de comorbidade. O boletim também aponta 43 casos confirmados de chikungunya em gestantes.

Já em relação à dengue, o Estado contabiliza 2.793 casos prováveis, sendo 454 confirmados. Não há nenhum óbito registrado nem em fase de investigação. Nos últimos 14 dias, Santa Rita do Pardo, Paraíso das Águas, Corumbá, Amambai, Bandeirantes, Guia Lopes da Laguna, Angélica, Eldorado, Itaporã, Miranda, Costa Rica, Sonora, Fátima do Sul, Ladário, Jardim, Caarapó, Rio Brilhante, Maracaju, Aquidauana, Sidrolândia, Três Lagoas e Dourados registraram baixa incidência de casos confirmados de dengue.

SES cria fluxo emergencial para casos graves

Diante do avanço da chikungunya, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) instituiu na terça-feira (7), um fluxo emergencial de regulação médica para casos graves da doença. A medida, estabelece prazos mais curtos para resposta assistencial, mecanismos excepcionais para garantir o atendimento oportuno de pacientes em estado crítico e diretrizes prioritárias para a Região de Saúde Centro-Sul e demais macrorregiões do Estado.

A normativa estabelece que casos classificados como prioridades P1.0 e P1.1, considerados graves ou potencialmente graves, deverão ter decisão regulatória em até uma hora após a solicitação. A resolução também normatiza o uso da chamada “vaga zero”, recurso excepcional que permite a transferência imediata de pacientes críticos mesmo na ausência de leitos disponíveis, como forma de preservar vidas em situações extremas.

 

Por Juliana Brum

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