A cena cultural sul-mato-grossense recebe uma nova temporada do projeto “Dançar nas bordas do tempo”, que propõe uma imersão artística envolvendo oficinas, apresentações e momentos de diálogo com o público. A iniciativa reúne a direção, concepção e coreografia de Esther Weitzman, ao lado dos bailarinos-criadores Marcos Mattos e Renata Leoni, em uma experiência que atravessa diferentes linguagens da dança contemporânea.
A programação tem início em Vicentina, no dia 7 de abril, com atividades realizadas no Centro de Convivência do Idoso (Conviver). O público poderá participar de uma oficina no período da tarde, seguida por uma apresentação que encerra o primeiro dia de circulação, promovendo o encontro direto entre artistas e comunidade local.
Na sequência, o projeto chega a Dourados, com agenda distribuída entre os dias 8 e 9 de abril. As oficinas acontecem em espaços de assistência social e convivência, enquanto as apresentações serão realizadas no Núcleo de Artes Cênicas da UFGD, ampliando o acesso à produção artística e fortalecendo o intercâmbio cultural na região. Todas as sessões contam com interpretação em Libras, garantindo acessibilidade ao público.
A iniciativa integra ações viabilizadas por meio de políticas públicas de fomento à cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. A realização envolve instituições estaduais e federais, além de parcerias com órgãos municipais e espaços culturais, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à arte e a valorização da produção contemporânea.
Concepção
O espetáculo marca o reencontro artístico de Marcos Mattos e Renata Leoni, que retornam ao palco movidos pelo desejo de revisitar suas trajetórias e celebrar uma amizade construída ao longo dos anos. A obra já circulou por diversas cidades de Mato Grosso do Sul entre 2024 e 2025, propõe mais do que uma apresentação coreográfica: é uma criação carregada de sensibilidade, onde memórias, vivências e afetos ganham forma em movimento.
Em cena, a dupla revela uma conexão profunda, traduzida em gestos que expressam cumplicidade, respeito e escuta, transformando o tempo, em suas dimensões emocional e simbólica, no principal elemento da narrativa.
Renata Leoni, com seus 62 anos, traz consigo uma vasta experiência nas artes da dança. Iniciou seus estudos no ballet e explorou diversas modalidades ao longo de sua carreira, desde danças modernas e contemporâneas, demonstrando um interesse particular pelo tema da improvisação.
Ela é uma figura icônica no cenário da dança de Campo Grande, tendo integrado o Pantanaliadança, primeiro grupo independente da região, e a Ginga Cia de Dança, a mais antiga do estado. Atualmente, Renata é uma das mentes por trás do Conectivo Corpomancia, um coletivo de artistas de diversas áreas que busca conexões e colaborações entre diferentes linguagens artísticas.
Para o Jornal O Estado, a dançarina fala dos estereótipos preconceitos que se tem quando se atinge a melhor idade.
“Muitas barreiras e preconceitos existem em relação à capacidade e ao autoconhecimento, então queremos pensar em como continuamos nos movendo apesar da idade. Eu tenho sessenta e um anos e estou dançando, claro, minha condição é diferente, sou profissional da dança. Mas, além disso, como podemos sensibilizar as pessoas para a dança, o movimento, o corpo, o prazer e a vida. Esse é o sentido da proposta da oficina”.
Marcos Mattos, aos 39 anos, carrega uma longa trajetória nas danças urbanas. Com um histórico impressionante como gestor e diretor artístico da Cia Dançurbana por mais de duas décadas, Marcos também se destaca na área da produção e gestão de projetos culturais na Associação Arado Cultural.
Sua parceria com Renata não é apenas profunda, mas também frutífera, tendo cursado uma pós-graduação juntos e compartilhado uma amizade que se estende por mais de uma década, durante a qual colaboraram em diversas criações, produções e curadorias de festivais, contribuindo significativamente para o cenário da dança em sua cidade e Estado.
Público
Sobre a recepção do público em relação à peça, Renata enfatiza que ficou surpresa com o carinho da audiência, especialmente do público masculino. Com oficinas sendo a oferta de atração com mais participação entre o público em relação às apresentações, com análise da equipe, a bailarina comenta sobre as interpretações a qual as pessoas possuem de suas performances.
Para dar vida a essa criação, a dupla contou com a colaboração da coreógrafa Esther Weitzman, premiada e reconhecida em sua área de atuação. Sobre o trabalho, ela destaca o vínculo afetivo e a conexão entre os artistas, ressaltando que o afeto e o respeito mútuo são essenciais para o aprimoramento constante, mesmo ao longo da vida.
“É fruto de muito afeto e conexão entre seres que formam uma parceria muito especial e que nos ensinam que afeto e respeito de um indivíduo a outro reluz e é isso que nos faz melhorar até o fim de nossas vidas”, finaliza a coreógrafa.
A oficina não requer inscrição prévia, basta comparecer ao local no horário programado e mergulhar nessa experiência enriquecedora. A iniciativa não apenas promove a atividade física e a expressão artística, mas também abre espaço para reflexões profundas sobre o envelhecimento e o papel da dança na promoção do bem-estar e da identidade pessoal.
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