Plano prevê obras emergenciais em 2026 e jogo somente em 2027
O governo estadual assumiu a gestão do Estádio Morenão, em Campo Grande, com a promessa de investir R$ 16,7 milhões na reestruturação do espaço. Fechado desde 2022 e sem receber jogos oficiais há quase quatro anos, o local deve passar por uma série de obras emergenciais ao longo de 2026, com a expectativa inicial de reabertura no começo do próximo ano.
A formalização ocorreu ontem (31), na Governadoria, e encerra impasse que envolvia a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), até então responsável pelo estádio. A cessão ao Estado, estimada em até 35 anos, abre caminho para investimentos diretos e, posteriormente, uma parceria público-privada (PPP) para modernização completa do complexo.

Foto: Nilson Figueiredo
O projeto de revitalização do Morenão foi estruturado em quatro etapas. A primeira, já concluída, é a transferência da gestão para o Estado. A segunda envolve a realização de obras emergenciais para viabilizar a reabertura do estádio. Em paralelo, será elaborado um estudo de viabilidade técnica e econômica, que embasará a futura concessão à iniciativa privada, última fase do plano.
Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), a estratégia busca garantir uma solução sustentável para o espaço. “É um momento extremamente relevante para o Estado. O que aconteceu hoje (ontem) foi a transferência do Morenão da Universidade Federal para o Governo de Mato Grosso do Sul. Agora, somos responsáveis por ações importantes, entre elas o investimento direto no curto prazo para viabilizar o uso do estádio”, afirmou.
Riedel destacou que a concessão ainda depende de estudos técnicos e de mercado. “O primeiro passo é elaborar o estudo de viabilidade e definir o que será feito no estádio, quanto será investido e quais serão as responsabilidades da empresa. Só depois iremos ao mercado, à Bolsa, para buscar a parceira que vai investir e administrar o Morenão por até 35 anos”, explicou.
O governador reforçou a importância do futebol para o projeto. “Sem o futebol, não tem Morenão. E sem o Morenão, não há PPP. É uma cadeia que estamos estruturando para entregar uma nova perspectiva ao Mato Grosso do Sul”, disse.
Obras emergenciais e estrutura
O pacote inicial de intervenções inclui reforma do gramado, melhorias em vestiários e áreas internas, adequações de segurança e acessibilidade, troca da rede elétrica, implantação de sistema de combate a incêndio e melhorias nos acessos, como rampas e estruturas de circulação.
Segundo o secretário de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, os projetos técnicos já estão prontos e devem acelerar o cronograma. “Já temos os projetos elétricos, de segurança e acessibilidade prontos, que serão encaminhados para licitação. A previsão é concluir essa etapa até o fim do ano, permitindo a reabertura definitiva do estádio com todos os laudos necessários”, afirmou.
Ele também ressaltou que o estudo para concessão ocorrerá paralelamente. “Temos prazo até julho de 2028 para definir esse modelo. Estamos assinando a cessão com projetos já prontos para execução, o que aumenta a expectativa de atender, de forma concreta, o que a população espera”, completou.
“Gramado terá apoio da CBF”, afirma presidente da FFMS
Uma das principais preocupações para a retomada das atividades é a qualidade do gramado. Segundo o presidente da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul), Estevão Petrallás, há um acordo firmado com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para garantir melhorias estruturais.
“Há um compromisso com o presidente da CBF, Samir Xaud. A Federação, em parceria com a CBF, vai trazer o gramado, o sistema de irrigação e melhorias na pista, além de ajustes nos bancos de reserva. A ideia é começar a transformar essa expectativa em realidade já na etapa inicial”, afirmou.
‘Arena multiuso’
Com capacidade original para 44 mil pessoas — muito superior às outras praças esportivas atualmente utilizadas em Campo Grande —, o Morenão é visto como peça-chave para a revitalização do futebol Sul-mato-grossense.
A expectativa do governo é que o estádio volte a receber público no início de 2027, após a conclusão das obras e obtenção dos laudos técnicos necessários. Ainda assim, há otimismo quanto a uma reabertura parcial antes disso. “A nossa previsão é no início do ano que vem. Vamos trabalhar para isso”, declarou Riedel, ao se referir à retomada das atividades no local.
Segundo o Governo, a reativação do Morenão deve permitir que clubes locais voltem a sediar jogos de maior porte em Campo Grande, além de funcionar como arena multiúso, abrindo espaço para eventos culturais e shows, o que ampliaria o uso do estádio e fortaleceria a economia local.
Por Ricardo Prado
