Boletim Focus aponta terceira alta seguida na projeção do IPCA, que segue dentro do teto da meta estabelecida para o ano
A previsão do mercado financeiro para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), referência oficial da inflação no país, subiu de 4,17% para 4,31% em 2026. Os dados constam no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo BC (Banco Central), com base em estimativas de instituições financeiras.
Esta é a terceira elevação consecutiva na projeção para a inflação deste ano. Mesmo com o avanço, o índice permanece dentro do intervalo da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite varia entre 1,5% e 4,5%.
Em fevereiro, o IPCA registrou alta de 0,7%, impulsionado principalmente pelos grupos de transportes e educação. No mês anterior, a variação havia sido de 0,33%. Apesar da aceleração no mês, o acumulado em 12 meses caiu para 3,81%, ficando abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Para os anos seguintes, o mercado também revisou as expectativas. A projeção da inflação para 2027 passou de 3,8% para 3,84%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,57% e 3,5%, respectivamente.
A taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 14,75% ao ano pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central na reunião da semana passada, após redução de 0,25 ponto percentual. Antes da intensificação do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte maior, de 0,5 ponto.
A Selic havia atingido 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando chegou a 15,25%. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes consecutivas e, nas quatro reuniões seguintes, permaneceu inalterada.
Após esse período de estabilidade, havia sinalização de início de um ciclo de cortes. No entanto, diante das incertezas relacionadas ao cenário internacional, o Banco Central indicou que poderá reavaliar o ritmo de redução, se necessário. O próximo encontro do Copom está previsto para abril.
No Focus desta semana, a expectativa para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é de 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve recuar para 9,75% ao ano.
A política de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo e os investimentos, enquanto cortes na taxa estimulam a atividade econômica, mas podem pressionar os preços.
Em relação ao crescimento econômico, o mercado elevou de 1,84% para 1,85% a estimativa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026. Para 2027, a projeção é de 1,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de crescimento de 2% em ambos os anos.
Em 2025, a economia brasileira registrou alta de 2,3%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com crescimento em todos os setores e destaque para a agropecuária. Foi o quinto ano consecutivo de expansão.
A previsão para o dólar ao fim deste ano permaneceu em R$ 5,40. Para 2027, o mercado estima a moeda norte-americana em R$ 5,45.
*Com informações da Agência Brasil
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