Os preços das principais frutas comercializadas nas Centrais de Abastecimento – Ceasas do país apresentaram recuo no último mês. Segundo o 3º Prohort (Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro), divulgado neste mês pela Companhia Nacional de Abastecimento, banana, laranja, maçã, melancia e mamão registraram queda na média ponderada na comparação entre fevereiro e janeiro. O movimento de baixa também foi observado para hortaliças como cebola e cenoura.
Frutas
Entre as frutas, a banana liderou as reduções, com retração de 11,16% nos preços médios. Mesmo com o aumento da demanda impulsionado pelo retorno das aulas, a menor oferta de banana nanica até o período pós-Carnaval não foi suficiente para sustentar as cotações. O impacto foi amenizado pela maior entrada de produto no terço final do mês, com destaque para a variedade nanica proveniente do norte de Santa Catarina e para a banana prata originária do norte de Minas Gerais e de estados como Espírito Santo, Bahia e Ceará.
A maçã também apresentou queda expressiva, com variação negativa de 10,32% na média ponderada. Esse comportamento reflete a ampliação da oferta, influenciada pelo início da colheita da variedade gala, somada à disponibilidade remanescente da safra da maçã eva do Paraná e da produção paulista.
No caso do mamão, houve redução de 7,52% nos preços médios. A menor oferta do tipo papaya, afetada pelo excesso de chuvas no último trimestre de 2025 — que prejudicou a florada e a produtividade — foi compensada pela maior disponibilidade e preços mais baixos do mamão formosa, o que limitou uma possível alta mais significativa nas cotações.
A melancia também ficou mais barata, embora com recuo mais moderado, de 3,72% na média ponderada. A qualidade das frutas disponíveis melhorou em função das condições climáticas favoráveis e das chuvas pontuais. Por outro lado, o excesso de precipitações vem impactando o plantio em Goiás, especialmente na região de Ceres, importante polo produtor da fruta.
Já a laranja apresentou comportamento mais estável. Apesar da redução no consumo e na comercialização nas Ceasas do Sudeste, a oferta média caiu cerca de 7%. Ainda assim, a variação de preços foi praticamente nula, com leve retração de 0,06%.
Hortaliças
Entre as hortaliças, a cebola manteve a trajetória de queda, com recuo de 5,52% na média ponderada em relação a janeiro. A desvalorização foi influenciada pela qualidade inferior do produto, ao mesmo tempo em que houve aumento da oferta proveniente de Santa Catarina. Mesmo com esse crescimento, o volume comercializado nas Ceasas caiu 10%. Para março, com o fim da colheita catarinense e a diminuição dos estoques, o cenário indica pressão de alta nos preços.
A cenoura também registrou leve redução, de 1,23%, após sucessivas altas desde dezembro de 2025. A oferta apresentou queda de 5,6% em comparação a janeiro, mas não suficiente para sustentar aumentos generalizados. As chuvas frequentes reduziram o ritmo de colheita, o que tenderia a elevar os preços, porém também prejudicaram a qualidade do produto, exercendo efeito contrário sobre as cotações.
Na direção oposta, alface, tomate e batata tiveram alta nos preços no atacado. A alface apresentou aumento de 2,02%, refletindo a redução de 7% na oferta nas onze Ceasas analisadas. As chuvas nas regiões produtoras continuam impactando o mercado, dificultando a colheita, provocando perdas, comprometendo a qualidade e podendo limitar novos plantios.
O tomate registrou elevação de 5,20% em fevereiro, em função da menor oferta disponível. Esse cenário está ligado ao esgotamento das áreas em ponto de colheita após o período de alta produção no fim de 2025, além da transição após o pico da safra de verão, que reduz a disponibilidade do produto.
A batata, por sua vez, apresentou aumento de 11,72% na média ponderada. Assim como no caso da alface, as chuvas afetaram o ritmo de colheita, impactando diretamente a oferta. Soma-se a isso o fato de que o pico da safra das águas já teria ocorrido nos primeiros meses do ano. Para março, a expectativa é de continuidade da alta de preços, diante da redução na oferta, movimento já observado no início do mês.
Exportações
No comércio exterior, as exportações brasileiras de frutas somaram 218 mil toneladas em fevereiro de 2026, com leve crescimento de 1% em relação ao primeiro bimestre de 2025. A receita alcançou US$ 237,7 milhões, alta de 4,4% na mesma base de comparação, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O início do ano foi marcado por bom desempenho nas vendas para Europa e Ásia, especialmente de abacates, bananas e laranjas, apesar da redução nos embarques de melão, limão, uva e melancia.
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