Taxa vai a 5,8% no trimestre até fevereiro, enquanto número de ocupados recua e informalidade atinge 37,5%
A taxa de desocupação ficou em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, avanço de 0,6 ponto percentual em relação ao período móvel terminado em novembro, quando estava em 5,2%. Ainda assim, é o menor índice para trimestres finalizados em fevereiro desde 2012.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. No mesmo trimestre do ano passado, a taxa era de 6,8%.
O país encerrou fevereiro com 6,2 milhões de pessoas em busca de trabalho, 600 mil a mais do que no trimestre anterior. Já o total de ocupados somou 102,1 milhões, com redução de 874 mil trabalhadores na comparação com o período encerrado em novembro.
Segundo o instituto, a diminuição das vagas ocorreu principalmente nos setores de educação, saúde e construção. A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, afirmou que o movimento é característico do começo do ano, quando contratos temporários são encerrados.
“Parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade.”
Mesmo com a elevação da taxa de desocupação, o rendimento médio mensal real chegou ao maior patamar da série histórica: R$ 3.679. O valor representa crescimento de 2% frente ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação com igual período de 2025, já descontada a inflação.
“O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, afirmou Adriana Beringuy.
O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou em 39,2 milhões, estável nas duas comparações. Já os trabalhadores por conta própria totalizaram 26,1 milhões, mantendo estabilidade no trimestre e registrando alta de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado, o equivalente a 798 mil pessoas.
A informalidade atingiu 37,5% dos ocupados, o que corresponde a 38,3 milhões de trabalhadores sem direitos trabalhistas como férias e contribuição previdenciária. No trimestre anterior, o índice era de 37,7%.
A pesquisa considera pessoas a partir de 14 anos e classifica como desocupado quem procurou emprego nos 30 dias anteriores à entrevista. O levantamento é feito em cerca de 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.
Na série iniciada em 2012, a maior taxa de desocupação foi de 14,9%, registrada nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, durante a pandemia. A menor foi 5,1%, no quarto trimestre de 2025.
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