Sem respostas, servidores denunciam desvalorização e sinaloizam possível paralisação

Foto: Rachid Waqued
Foto: Rachid Waqued

Em Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta semana, servidores do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) aprovaram, por unanimidade, a instauração de estado de greve. A decisão ocorre em meio ao aumento da insatisfação da categoria com a condução das políticas voltadas ao setor.

A mobilização foi organizada pelo Sindetran-MS (Sindicato dos Servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) e contou com participação expressiva dos trabalhadores concursados, segundo a entidade.

Com o estado de greve, os servidores permanecem mobilizados e podem deflagrar paralisação das atividades a qualquer momento, caso não haja avanço nas negociações com o Governo do Estado.

Durante a assembleia, também foi aprovada a intensificação de atos de protesto e denúncias relacionadas às condições de trabalho. Entre as principais críticas estão a precarização dos serviços públicos e o avanço da terceirização, que, segundo a categoria, pode impactar diretamente a qualidade da segurança viária.

Outro ponto levantado pelos servidores diz respeito ao processo de digitalização dos serviços do órgão. De acordo com os trabalhadores, a modernização estaria sendo conduzida sem a devida segurança, com relatos recorrentes de fraudes envolvendo sistemas e uso indevido do nome do Detran-MS.

A categoria deliberou ainda pelo fortalecimento das ações de mobilização, incluindo a ampliação do movimento de não recebimento de guias em máquinas de cartão, como forma de pressionar por mudanças.

Ao O Estado, o presidente do Sindetran-MS, Bruno Alves, destacou que o movimento é motivado pela falta de valorização dos profissionais. “Nós iniciamos em 2023 a conversa para a reestruturação da carreira e porque também estamos com defasagem pessoal para concurso. Nossa força de trabalho diminuiu em 30% nos últimos 10 anos e a proposta que o governo apresentou agora não tem nada a ver com o que fizemos, nem contraproposta salarial.”

Ele reforçou que a mobilização visa garantir melhorias na carreira, valorização salarial e melhores condições de trabalho. “Os nossos pleitos são a valorização salarial, a reestruturação da carreira, o reconhecimento da carreira enquanto categoria da segurança pública, atividade da segurança viária, melhoria nas condições de trabalho e concurso público.”

A categoria acusa o governo de desrespeito e ausência de diálogo: “Eles simplesmente falaram um não bem grande na nossa cara.”

Ao O Estado, o Detran-MS informou que “mantém diálogo constante com os servidores, reconhece a legitimidade das reivindicações apresentadas, todavia reforça que houve significativos avanços no funcionalismo público estadual. As negociações de melhoria salarial e das condições de trabalho são uma política pública sempre presente, com transparência e respeito à coisa pública e aos servidores. Todas as unidades do Detran em Mato Grosso do Sul seguem operando dentro da normalidade”, finalizou o comunicado.

Por Suelen Morales

 

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