Situações vividas serviram para despertar espiritual e cura para escritor
Após sobreviver a um coma de cinco dias provocado por um erro médico, o analista de sistemas Evonaldo Francisco dos Santos afirma ter reconstruído a própria vida a partir de uma experiência que, segundo ele, transformou sua relação com a fé, a saúde e o propósito. A vivência deu origem a uma coletânea de cinco livros, escrita ao longo de aproximadamente três anos e meio, na qual o autor aborda temas como autocura, espiritualidade, saúde mental e as experiências que relata ter vivido entre a vida e a morte.
‘Conexão Divina’ é dividido em cinco propostas diferentes, conforme seus títulos: ‘Ser e ter’, ‘Cicatrizes da Alma’, ‘Fé e Imaginação’, ‘A Guerra entre o Bem e o Mal’ e ‘Entre a Vida e a Eternidade’.
Em entrevista ao jornal O Estado, Evonaldo relatou que possui problemas de saúde desde a infância, o que o levou a situações como acidentes automobilisticos na vida adulta e episódios de convulsões, um deles sendo o gatilho para a situação do coma.
“Eu nasci com problemas de saúde importantes, como uma calcificação no cérebro que nunca foi tratada. Isso me causou crises de ausência desde os 16 anos, que são como apagões, e ao longo da vida isso trouxe várias dificuldades, inclusive acidentes e problemas emocionais”, relatou.
Segundo ele, esses episódios de ‘apagões’ eram muitas vezes impercetíveis para quem visse de fora. Por causa disso, ele recusava o tratamento medicamentoso, pois se sentia dopado. “Minhas crises eram leves e queria ter uma vida o mais próximo do normal”.
Entretanto, uma situação no trabalho despertou um quadro de depressão, ansiedade, crise do pânico e convulsões severas. No ano de 2022, enquanto trabalhava como servidor público, apresentou um quadro de convulsão que durou quase uma hora, em casa. O socorro foi acionado e ele foi transferido para uma unidade de saúde. Durante o atendimento, ao receber uma dose de anticoagulante, Evonaldo teve um choque anafilárico que resultou no coma.
“Quando eu saí do coma, eu não lembrava mais de nada. Eu não reconhecia a cidade, não conseguia trabalhar, tive que reaprender a viver do zero. Foi como se minha memória tivesse sido resetada”, revelou. Foi durante esse período que o escritor teve a experiência de sua vida.
“Durante o coma, eu tive experiências muito fortes, com conversas com Deus. Quando voltei, senti que precisava registrar aquilo, então comecei a escrever para não perder essas memórias. Uma madrugada eu acordei com uma voz que me disse: ‘escreva um livro’. Comecei a escrever e, de 14 capítulos iniciais, nasceram 108 capítulos e depois cinco livros.”
A coletânea fala sobre autocura, e traz por meio de sua escrita terapeutica, suas lutas contra a depressão, ansiedade e pânico, além de relatar as experiencias que ele viveu durante o coma.
“Depois que voltei, eu sentia como se ainda estivesse ligado ao outro lado, como se houvesse um ‘fio’. Com o tempo, essa sensação foi desaparecendo, como se eu estivesse voltando completamente para cá. Essa experiência mudou completamente a minha forma de enxergar a espiritualidade, eu não busco Deus fora, eu encontrei Deus dentro de mim”.
“Minha família passou a me ver como uma referência de superação. Os livros vieram como uma forma de compartilhar tudo aquilo que antes era só interno”, conta. Segundo ele, a decisão de escrever está diretamente ligada à experiência vivida durante o coma. “A última frase que eu ouvi foi: ‘volta para falar tudo’. E eu entendi que isso seria através dos livros.”
Evonaldo relata que o período em que esteve desacordado foi marcado por sensações intensas e difíceis de explicar. “Durante o coma, eu tive a sensação de plenitude. Eu não tinha medo. Em um momento, ouvi que eu tinha ‘vencido a morte’”, afirma. Entre as experiências descritas, ele também menciona vivências espirituais que influenciaram diretamente sua produção literária. “Eu também vivi uma experiência de ‘guerra espiritual’, onde entendi que estamos o tempo todo nesse embate, e isso virou um dos livros.”
Antes do episódio, sua trajetória profissional era voltada à área técnica. “Antes eu era totalmente da área de exatas, trabalhava com números, orçamento público. Hoje eu continuo com isso, mas também escrevo, como se eu já estivesse sendo preparado para essa transição”, explica.
Além da mudança de perspectiva, Evonaldo também relata avanços significativos em sua saúde. “Minhas crises diminuíram muito. Hoje eu entendo os gatilhos: cansaço, raiva, medo. Com esse entendimento, consegui controlar melhor e até ajudar outras pessoas.” Ele destaca ainda o papel da escrita nesse processo: “Depois que comecei a escrever, não tive mais convulsões. A escrita virou parte da minha cura.”
Atualmente, o autor utiliza sua experiência como forma de apoio a outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. “Hoje eu ajudo pessoas que passam por situações parecidas. Quando vejo que minha história está ajudando alguém, isso não tem preço”, diz.
Para ele, toda a trajetória, marcada por desafios de saúde, experiências extremas e reconstrução pessoal, faz parte de um caminho maior. “Minha vida inteira foi um processo. Tudo o que aconteceu foi necessário para eu chegar até aqui e entender o propósito de compartilhar essa experiência.”
Por Carolina Rampi