A consultoria agropecuária é referência no uso da tecnologia para aproximar quem quer vender com informações precisas
Fundada há mais de quatro décadas, a Datagro é uma consultoria brasileira especializada em inteligência de mercado para o agronegócio. Com atuação em diversos segmentos como pecuária, grãos, energia e alimentos, está presente em dezenas de países. Se destaca pela coleta e análise de dados primários, oferecendo informações estratégicas e independentes que auxiliam produtores, indústrias e investidores na tomada de decisão.

FOTO: ROBERTA MARTINS
Em entrevista ao jornal O Estado, representantes da empresa destacaram o papel central da informação de qualidade para enfrentar os desafios do setor. “A Datagro é a maior consultoria agrícola do Brasil e deve ser uma das maiores do mundo”, afirmou o economista Guilherme Nastari. A empresa atua como um grande centro de coleta de dados primários. “É a partir dessa base, a gente faz análise e cria um ambiente neutro e isento para discussão e desenvolvimento de projetos.”
A Datagro tem ampliado sua atuação no agronegócio brasileiro ao apostar na combinação entre tecnologia, coleta de dados primários e análise de mercado para apoiar produtores na tomada de decisão. Com presença em 51 países, a consultoria se posiciona como uma das principais referências globais em inteligência agropecuária, conectando diferentes elos da cadeia produtiva e oferecendo informações estratégicas em tempo real.
Um dos principais avanços da empresa está no uso da tecnologia para aproximar o produtor das informações de mercado. A plataforma digital desenvolvida pela consultoria permite a coleta diária de dados enviados por pecuaristas e frigoríficos de todo o país, formando uma base robusta que sustenta indicadores amplamente utilizados pelo setor. “Hoje ele conta com 15 mil pecuaristas e agentes que participam desse aplicativo. Eles reportam o seu preço e as condições da negociação, e isso contribui para formar a média diária do mercado”, explicou João Figueiredo, analista de mercado da Datagro.
A iniciativa ajuda a reduzir a assimetria de informação e aumenta a transparência nas negociações. “A gente fala que tem uma dinâmica parecida com o Waze. Cada um fornece a sua posição e, com isso, a gente consegue ter uma visão do mercado como um todo.” O indicador do boi gordo da empresa, construído a partir desses dados, ganhou relevância a ponto de ser utilizado na liquidação de contratos futuros na B3. “Passamos a ser um indicador oficial de liquidação dos contratos futuros da Bolsa, mas não só isso, ele também é usado no mercado físico”, acrescentou.
O Indicador do Boi DATAGRO na Estrada 2026 realizou, na quinta-feira (19), sua terceira parada do ano, em Campo Grande (MS). O encontro se destaca por ser o terceiro do ano no novo formato, com a realização do Workshop de Comercialização Futura em Bolsa, voltado à capacitação em proteção de preços e gestão de risco no mercado futuro. O treinamento será conduzido por Rodrigo Albuquerque e Lucas Moller, especialistas em mercado de capitais aplicado ao agronegócio.
Mercado na palma das mãos
Além da precificação, a plataforma oferece uma visão ampla do mercado, reunindo informações sobre exportação, prazos de pagamento e escala de abate. “Você vai vender o seu boi, entra no aplicativo e vê como está o preço, como está a escala, como está o mercado de exportação. São vários fundamentos que ajudam a melhorar a comercialização de forma mais transparente”, exemplificou o especialista, João Figueiredo.
Outro ponto destacado é o suporte à gestão de riscos, especialmente diante da volatilidade de preços e das mudanças climáticas. “A Datagro tem como um dos pilares levar informação isenta e neutra. A gente cobre clima, mercado financeiro e todos os setores que impactam o produtor”, afirmou Figueiredo.
A atuação da consultoria ocorre em um momento de transformação da pecuária brasileira, impulsionada pela crescente demanda internacional. Guilherme Nastari destacou que o país vem ampliando sua participação no mercado global de carne bovina. “Antes, cerca de 20% da produção ia para o mercado internacional. Hoje, esse número está entre 35% e 40%. O Brasil está cada vez mais integrado na distribuição de carne pelo mundo”, avaliou.
Segundo Nastari, esse cenário aumenta a responsabilidade do país e exige maior eficiência produtiva. “O mercado internacional é muito exigente. Tem rastreabilidade, certificação, a exigência de animais mais jovens. Isso está mudando toda a cadeia produtiva.” Nesse contexto, a intensificação da produção surge como tendência. “A gente vai produzir mais em menos espaço. Não precisa abrir novas áreas, pelo contrário, a gente consegue integrar melhor com a agricultura e ganhar eficiência”.
A integração entre lavoura e pecuária, inclusive, é apontada como um dos fatores que aumentam a competitividade do Brasil. O uso de subprodutos do milho, como o DDG, para alimentação animal, é um exemplo dessa sinergia. “Essa integração entre agricultura e pecuária está deixando o Brasil muito competitivo em termos de custo, porque a gente tem fundamentos muito bons, como área, sol, água e matéria-prima”, afirmou Guilherme.
Barreira de exportação
Apesar das oportunidades, o mercado externo também apresenta desafios. A recente imposição de cotas pela China, principal compradora da carne brasileira, é um dos pontos de atenção. “A gente exportou cerca de 1,7 milhão de toneladas para a China e agora temos uma cota de 1,1 milhão. É uma redução importante”, explicou Guilherme. Ainda assim, ele vê o cenário com cautela otimista. “A expectativa é que essa medida seja revista, porque pode gerar inflação lá dentro. O Brasil continua sendo um player fundamental”.
Para a Datagro, o fortalecimento do agronegócio brasileiro passa necessariamente pelo acesso à informação de qualidade. Ao investir em tecnologia, análise de dados e proximidade com o produtor, a empresa busca reduzir incertezas e aumentar a eficiência em toda a cadeia. “O nosso objetivo é levar para o produtor, todo dia, a informação de qualidade no formato que ele quiser acessar”, resumiu João.
Por Ana Krasnievicz