Nas primeiras semanas de março, cerca de 75% da soja em Mato Grosso do Sul já foi colhida

Foto: arquivo
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O período de estiagem impactou o potencial produtivo em algumas áreas

A colheita da soja em Mato Grosso do Sul atingiu 75,3% da área acompanhada na safra 2025/2026, conforme dados do Projeto SIGA-MS. O levantamento, com base em informações coletadas até 13 de março, aponta que os trabalhos no campo ganharam ritmo nas últimas semanas, após um início mais lento.

A região sul lidera o avanço da colheita, com 84,1% da área já colhida. Em seguida aparecem as regiões centro, com 70,5%, e norte, com 48%. Ao todo, cerca de 3,6 milhões de hectares já foram colhidos no Estado.

Apesar da evolução, as condições climáticas impactaram parte das lavouras, principalmente no sul. Períodos de estiagem e temperaturas elevadas entre janeiro e fevereiro provocaram perdas em áreas significativas.

Segundo o assessor técnico da Aprosoja/MS, Flavio Aguena, o desempenho da safra reflete diretamente a influência do clima. “Tivemos um início de safra com condições muito favoráveis, mas, ao longo de janeiro e fevereiro, enfrentamos estiagem e temperaturas elevadas, especialmente na região sul, o que impactou o potencial produtivo em algumas áreas”, afirmou.

A realidade no campo confirma esse cenário. O produtor rural Sérgio Marcon, de São Gabriel do Oeste, relata que a irregularidade das chuvas afetou diretamente o calendário agrícola no município.
“Todo o município enfrentou falta de chuva no período inicial, em outubro e novembro, com precipitações mais curtas até o fim de janeiro. Isso fez com que a lavoura de soja entrasse em atraso já em novembro, comprometendo também o plantio do milho”, explicou.

Segundo ele, o impacto se estende para a segunda safra. “A janela ideal praticamente terminou e ainda temos áreas para colher e plantar. Essa é a realidade de grande parte do município. Em algumas propriedades, o milho ainda está com 30 a 50 centímetros de altura”, afirmou.

Marcon também alerta para os riscos climáticos nas próximas semanas. “Isso exige preocupação, principalmente se houver nova falta de chuva, já que a lavoura está sendo implantada fora do melhor período”, disse.

Apesar das dificuldades, o produtor mantém uma visão otimista. “O produtor sempre é confiante. A gente trabalha com planejamento, compra insumos com antecedência e segue acreditando em chuvas melhores. Pode afetar a produtividade, mas o pensamento continua positivo”, concluiu.

Mesmo com os desafios, a estimativa segue positiva. A produção de soja em Mato Grosso do Sul deve alcançar cerca de 15,2 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,8 sacas por hectare.

Plantio do milho avança com força
Paralelamente à colheita da soja, o plantio do milho da segunda safra também avança de forma significativa. Até 13 de março, 75,7% da área prevista já havia sido semeada, índice superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

A região sul novamente se destaca, com 82,2% da área plantada. O norte alcança 66,3% e o centro, 59,3%. Aproximadamente 1,67 milhão de hectares já foram cultivados com milho.

O avanço foi impulsionado pela intensificação dos trabalhos a partir da segunda quinzena de fevereiro. Em apenas uma semana, o plantio evoluiu quase 20%, o equivalente a cerca de 440 mil hectares.

De acordo com Aguena, o ritmo acelerado é resultado de uma janela operacional favorável. “Com a evolução da colheita da soja e a melhora das condições de campo, o produtor conseguiu acelerar o plantio do milho, aproveitando melhor a janela climática da segunda safra”, destacou.

Produção deve superar 11 milhões de toneladas
A estimativa da Aprosoja/MS indica que a segunda safra de milho deve ocupar uma área de 2,206 milhões de hectares, com produtividade média de 84,2 sacas por hectare. A produção total está projetada em 11,1 milhões de toneladas.

Clima segue no radar
As condições climáticas continuam sendo fator de atenção para os produtores. A irregularidade das chuvas, especialmente no sul do Estado, e a previsão de temperaturas acima da média nos próximos meses podem influenciar o desenvolvimento das lavouras.

Por Ana Krasnievicz

 

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