A Cia. de Dança do Pantanal celebra seus nove anos de trajetória com duas apresentações especiais em Campo Grande. Nesta segunda-feira (16), a Companhia apresenta os espetáculos “Guadakan” e “Carne Quebrada” durante a edição sul-mato-grossense do Fórum Internacional Femina Vox, iniciativa vinculada à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que reúne lideranças, pesquisadores, artistas e representantes da sociedade civil para discutir temas como igualdade de gênero, justiça social e mudanças climáticas.
As apresentações acontecem no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande (MS), integrando a programação cultural do evento. O espetáculo “Carne Quebrada” será apresentado na abertura do fórum, enquanto “Guadakan” será encenado na programação da tarde.
Criado pela Dra. Guila Clara Kessous, Artista pela Paz da UNESCO, o Fórum Internacional Femina Vox promove desde 2021 encontros que fortalecem o diálogo intercultural e a valorização das vozes femininas em diferentes áreas da sociedade. A edição de 2026 ocorre tanto na sede da UNESCO, em Paris, quanto no Brasil, com atividades em Mato Grosso do Sul e Brasília.
Em Mato Grosso do Sul, o encontro recebe o título “Femina Vox Pantanal: Mulheres no Enfrentamento das Mudanças Climáticas”, reunindo debates sobre liderança feminina, cooperação internacional e alianças para a promoção da igualdade e da justiça social.
A participação da Cia. de Dança do Pantanal integra a programação artística do evento e reafirma o diálogo entre arte, cultura e reflexão social. Para Márcia Rolon, diretora artística do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, a presença do grupo em um fórum internacional com articulação da UNESCO reforça o papel da arte como linguagem de reflexão e transformação social.
“É muito significativo levar a dança da Cia. de Dança do Pantanal para um espaço de diálogo internacional como o Femina Vox. A arte tem a capacidade de tocar temas profundos e urgentes, como as mudanças climáticas, a relação com a natureza e o papel das mulheres na construção de novos caminhos para a sociedade”, destaca Márcia Rolon.
Um dos espetáculos de maior destaque da Cia é GUADAKAN. Com coreografia de Chico Neller, a obra é inspirada em um mito indígena Guató, etnia presente na fronteira entre Brasil e Bolívia, e conduz o público às origens dos povos pantaneiros, compartilhando sua sabedoria ancestral e um poderoso alerta sobre a preservação do bioma. Desde sua estreia, a montagem já encantou mais de quatro mil espectadores em diversas cidades, incluindo Corumbá, Campo Grande, Dourados e Ponta Porã, além de Rio de Janeiro e Assunção, no Paraguai.
“É um espetáculo que nos convida a refletir sobre os desafios ambientais do Pantanal, trazendo à cena as transformações que esse bioma enfrenta, desde queimadas e secas até o processo de regeneração. A arte tem o poder de mobilizar e despertar um olhar mais empático sobre a relação entre o ser humano e a natureza”, destacou a coordenadora de dança do Moinho Cultural e bailarina da Cia, Aline Silva Espírito Santo.
‘Carne quebrada’ vem com o intuito de mostrar que o heteronormativo apostou que não teríamos o que dizer com nossos corpos e corporeidades. Mostrando que vivemos em uma realidade que necessita expor as atrocidades, mostrar por meio delas que somos vozes orquestradas para a mudança.
Serviço: As apresentações da Cia. de Dança do Pantanal – Feminina Vox Pantanal, com os espetáculos ‘Carne Quebrada’ e ‘Guadakan’ serão realizadas nesta segunda-feira (16), às 8h e às 13h30, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo, em Campo Grande.